1 de agosto de 2015

É preciso ir embora


Estava na festa de despedida de uma amiga, quando ouvi calada e com atenção seu dolorido discurso sobre o quanto ela se preocupava com a decisão de ir embora. Dizia se preocupar com a saudade antecipada da família, com a tristeza em deixar um amor pra trás e com a dor de se afastar dos amigos. Ela iria embora para Londres com tantas incertezas sobre cá e lá, que o intercambio mais parecia uma sentença ao exílio.

Dentre dicas e conselhos reconfortantes de outras amigas, lembro-me de interromper a discussão de forma mais fria e prática do que gostaria: “Quando você estiver dentro daquele avião, olhar pra baixo e ver todas estas dúvidas e desculpas do tamanho de formigas, voltamos a falar. E você vai entrar naquele avião, nem que eu mesma te coloque nele.” Ela engoliu seco e balançou a cabeça afirmativa.
Penso que na ocasião poderia ter adoçado o conselho. Mas fato é que a minha certeza era irredutível, tudo que ela precisava era perspectiva. Olhar a situação de outro ângulo, de cima, e ver seus dilemas e problemas como quem olha o mundo de um avião. Óbvio, eu não tirei essa experiência da cartola. Eu, como ela, já havia sido a garota atormentada pelas dúvidas de partir, deixando tudo pra trás rumo ao desconhecido. Hoje sei que o medo nada mais era do que fruto da minha (nossa) obsessão em medir ações e ser assertiva. E foi só com o tempo e com as chances que me dei que descobri que não há nada mais libertador e esclarecedor do que o bom e velho tiro no escuro.

Hoje a minha amiga não tem mais dúvida. Celebra a vida que ela criou pra ela mesma lá na terra da rainha, onde eu mesma descobri tanto sobre minha própria realeza. Ironicamente – e também assim como eu – ela aprendeu que é preciso (e vai querer) muitas vezes uma certa distancia do ninho. Aprendeu que nem todo amor arrebatador é amor pra vida inteira. Que os amigos, aqueles de verdade, podem até estar longe, mas nunca distantes. Hoje ela chama o antigo exílio de lar, e adora pegar um avião rumo ao desconhecido. Outras, como eu, e como ela, fizeram o mesmo. Todas entenderam que era preciso ir embora.

É preciso ir embora.

Ir embora é importante para que você entenda que você não é tão importante assim, que a vida segue, com ou sem você por perto. Pessoas nascem, morrem, casam, separam e resolvem os problemas que antes você acreditava só você resolver. É chocante e libertador – ninguém precisa de você pra seguir vivendo. Nem sua mãe, nem seu pai, nem seu ex-patrão, nem sua pegada, nem ninguém. Parece besteira, mas a maioria de nós tem uma noção bem distorcida da importância do próprio umbigo – novidade para quem sofre deste mal: ninguém é insubstituível ou imprescindível. Lide com isso.

É preciso ir embora.

Ir embora é importante para que você veja que você é muito importante sim! Seja por 2 minutos, seja por 2 anos, quem sente sua falta não sente menos ou mais porque você foi embora – apenas sente por mais tempo! O sentimento não muda. Algumas pessoas nunca vão esquecer do seu aniversario, você estando aqui ou na Austrália. Esse papo de “que saudades de você, vamos nos ver uma hora” é politicagem. Quem sente sua falta vai sempre sentir e agir. E não se preocupe, pois o filtro é natural. Vai ter sempre aquele seleto e especial grupo que vai terminar a frase “Que saudade de você…” com “por isso tô te mandando esse áudio”; ou “porque tá tocando a nossa música” ou “então comprei uma passagem” ou ainda “desce agora que tô passando aí”.

Então vá embora. Vá embora do trabalho que te atormenta. Daquela relação que você sabe não vai dar certo. Vá embora “da galera” que está presente quando convém. Vá embora da casa dos teus pais. Do teu país. Da sala. Vá embora. Por minutos, por anos ou pra vida. Se ausente, nem que seja pra encontrar com você mesmo. Quanto voltar – e se voltar – vai ver as coisas de outra perspectiva, lá de cima do avião.

As desculpas e pré-ocupações sempre vão existir. Basta você decidir encarar as mesmas como elas realmente são – do tamanho de formigas.

 
 
 

31 de julho de 2015

Acredire e não desiste nunca...



"... Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena acreditar no sonho que se tem. Ou que seu planos nunca vão dar certo. Ou que você nunca vai ser alguém. Quem acredita sempre alcança..."

30 de julho de 2015

A desculpa ideal do século XXI...




"Gestos afetuosos e sinceros amenizam dores...
São coisas que aprendi a sentir nos meus piores dias. Um abraço, um carinho, uma palavra de fé, um sorriso desavisado , gestos inesperados que fazem um bem absurdo a alma da gente . É como se tudo que estivéssemos passando , todas as dores , todas as angustias causassem uma ferida enorme por dentro e ela se escondesse dentro destes afetos e por eles fossem tratadas . É como se o coração da gente pedisse colo , atenção , socorro , pra conseguir se manter de pé diante das adversidades da vida.... É como se Deus colocasse anjos disfarçados só pra nos cuidar sem avisar e os fizessem sussurrar em nossos ouvidos: Você não esta sozinha(o).. "Tamo junto"....."

Ceclia Sfalsin



Tenho reparado muito isso ultimamente. Então, "não tenho tempo" virou sinônimo de "não tô afim". Nem sempre, claro. Há as exceções! Com certeza existe muita gente por aí que realmente tenta achar uma brecha nessa nossa vida corrida e cheia de afazeres onde temos que ser multi tudo, para diversas coisas e pessoas. Mas ao mesmo tempo, também tenho visto muita gente usar isso como desculpa. E nem se preocupa em calçar bem essa desculpa. E não só tenho visto muito disso como eu mesma tenho sofrido muito com isso. Já diz um pensamento que muito gosto de usar: "não existe falta de tempo, existe falta de interesse. Porque quando a gente quer mesmo, a madrugada vira dia. Quarta-feira vira sábado e um momento vira oportunidade." É exatamente isso! Quando a gente quer de verdade, faz a coisa acontecer. Quando não quer, inventa uma desculpa, e a ideal é o tempo corrido, a agenda apertada, o cansaço, os afazeres, os compromissos, as responsabilidades, as contas a pagar, os filhos, a família o trabalho e etc e tal. Mil incompatibilidades e problemáticas surgem. Ok. Realmente vivendo vida de gente grande, vivo isso muitas vezes, mas não 24 horas por dia, de domingo a domingo, do primeiro ao último dia do mês. Realmente tem vezes que a coisa embola e a gente só não surta por uma milagre divino. Mas com certeza, dá pra abrir uma brechinha nem que seja de dois minutos pra dar um oi. 


Engraçado, vive sem tempo, mas não sai das redes sociais. Tá o tempo todo postando ou entrando para verificar as atualizações alheias. Não tem tempo de curtir e comentar as minhas coisas (não que alguém seja obrigado a e nem bater ponto nas postagens) mas vive curtindo e comentando as coisas dos outros. "Pô, tá corridão, mas vamos marcar alguma coisa aí dia destes", #blz. Mas neste corridão eu tô vendo milhões de fotos em eventos mil com família, com colegas de trabalho, com os amores de suas vidas (filhos, maridos ou esposas, animais de estimação), com amigos, com amigos seus em comum (mas não lembrou de ter um tempinho pra te incluir nessa), em aniversário, festas, eventos, nights, social, reuniões de família, viagens... e nossa, isso tudo porque a pessoa estava sem tempo nem pra se coçar. Imagine se tivesse? Dava a volta ao mundo! Sei que às vezes o dia é tão cheio de afazeres que quando percebemos ele acabou e ainda não cessaram as coisas que temos pra fazer. Mas peraí, todos bebemos uma água, fazemos um xixi, marcamos um 10 no mínimo esperando o transporte para ir ou voltar do trabalho, temos uma horinha de almoço ou algum momento em que fazemos uma pausa nem que seja para dar uma alongada e respirar. Mas não tem 2 minutinhos para mandar uma mensagem pelo WhatsApp (nos dias der hoje já nem cogito mais ligação) para saber se eu tô viva, se tá tudo ok, se preciso de alguma coisa ou até mesmo só porque sentiu minha falta e encerrar dizendo que "mais tarde a gente se fala melhor", mas pelo menos dá o ar da graça. Resumindo, no final das contas ando percebendo que a falta de tempo é só pra mim e não para o resto do mundo. 

E o engraçado dois é que quando eu toco no assunto, mas sem nenhum tom de cobrança, apenas dizendo que sinto falta de ter hoje em dia o que já tivemos um dia, é que vem logo as explicações prontas: muito stress, muito trabalho, contas a pagar, muito cansaço, muitas coisas pra resolver no tempo livre e quando vê ele já acabou. Tá, tudo bem, entendo tudo isso, até um certo ponto. Mas peraí, e eu? Eu não passo por nada disso? E como eu consigo arrumar tempo pra fazer por todos pelos quais eu me importo e considero importantes pelo menos um pouquinho de cada coisa? Eu não sou nenhuma desocupada! Mas consigo achar tempo pra tudo. Senão hoje, amanhã. Senão amanhã, depois. Mas fato é que uma hora eu vou fazer. Só que fui vendo que só eu que fazia questão de continuar a fazer essas coisas, procurar, me importar, fazer parte, conversar sobre o que acontece na minha vida, tomar um drink e dar umas risadas, extravasar os problemas e as chateações, atar as saudades. E o tempo passou e as coisas mudaram drasticamente. Não, o sentimento e a amizade não mudou, mudou a forma como passamos a movimentar essa relação. Quer dizer passaram, eu não! 

Só que eu tô cansando... eu tô percebendo que milhões de outras coisas são sempre prioridade menos eu. Mas se chego pra conversar, pra tentar entender o que acontece, se foi algo da minha parte, o que tá faltando ou que podemos fazer para melhorar, resgatar, eu tô de cobrança e ninguém quer ser cobrado. E tá doendo! Porque se eu nunca tivesse tido uma ligação, uma aproximação, uma importância, uma prioridade na vida destas pessoas eu talvez hoje não me queixasse e não me chateasse com esse tipo de comportamento. Tô me sentindo como se tivesse tudo tudo e da noite pro dia, passei a ter nada e sem direito a saber o porquê. Já nem tô me sentindo mais excluída, tô comprovando isso. Já não sei mais de muita coisa que acontece, tô por fora de muitos assuntos que antes seriam participados e divididos comigo. Agora, fico sabendo das coisas numa conversa informal com outras pessoas. Até a demonstração de afeto mudou. Antigamente era como se fosse essencial demonstrar algo sincero, bonito e que foi construído em cima de bases e valores dia após dia. Foram muitos anos e momentos. Muita coisa boa e ruim. Muito riso e muito choro. Era algo que nós nos orgulhávamos de mostrar ao mundo. Hoje é como se não tivesse mais importância. Eu sei que gostam de mim, sabem que eu gosto deles e ponto. Mas pra doer ainda mais o calo já apertado no sapato, pisa em cima do calo com salto agulha porque por demais as demonstrações de saudade, de afeto, de amor, de importância e de um pouco de tudo ficam sempre à amostra. 


E eu fico aqui nesta de não ligo, mas eu ligo! Nesta de não fico chateada, cada qual ocupa um lugar na vida e de importância uns para os outros, mas e eu onde e como fico? Finjo me contentar com a pseudo falta de tempo quando na verdade eu sei que não é isso porque já vi que não adianta insistir no assunto porque as respostas são sempre as mesmas. Então não só tô cansando, como tô me retirando de campo. Afinal que não faz questão de mim e nem de regar a plantinha da amizade é porque não deve ligar muito pra isso. Cansei de sempre eu fazer e não ser retribuída em troca e na mesma proporção. Quase como se fosse obrigação minha continuar fazendo as coisas e não receber nada em troca. Pera lá... Tudo na vida é movido a reciprocidade. Mas sabe qual é o meu mal? Não largo de mão de vez a não ser que de fato algo se quebre aqui dentro, que eu seja desprezada ao máximo, que realmente seja posta pra fora da vida dos outros. Caso contrário eu xingo, reclamo, digo que não vou mais fazer e ser, mas continuo fazendo e sendo. E o pior dos piores é que e contento com súbitas demonstrações. Nada mais que meras coisinhas. Sentia antes uma preocupação bem maior de não pisar na bola, não ficar em falta, de estar errando, de estar junto, perto, compartilhando. Isso era não só muito mais visível como muito mais falado e questionado entre nós. Hoje em dia, morreu!

Eu eu sempre volto neste assunto, de uns tempos pra cá já devo ter escrito uns cinco posts sobre esse mesmo tema, sobre como eu me sinto e sobre como decidi me portar daqui pra frente. E acabo sempre voltando chateada e desabafando sobre as mesmas coisas. Uma falta de consideração que eu  nunca imaginei que pudesse existir diante de tudo o que vivemos. Ah a vida mudou! Mudou pra todo mundo. Não temos mais a vida fácil de antes. Mas eu sempre me desdobro em mil se for preciso, faço sacrifícios até financeiros mas na hora da inversão manda uma mensagem falando que não vai dar pra comparecer. que hoje não vai rolar e coisa e tal. Até num dos momentos mais importantes da minha vida senti uma bela distância de como teria sido há tempo lá atrás. Mas neste quesito entram outras coisas em questão, que agora não vem ao caso. E muitas vezes com alguns comentários e brincadeiras de dizer a verdade, acabo me sentindo inferior, menosprezada, coisas essa que também achei que nunca existiria, independente da condição financeira e social que nunca antes nos atrapalhou parece que virou barreira. Sei lá, sei que um monte de gente entra na nossa vida o tempo todo. Assim como muitos saem. Muitas vezes sem nem explicação. Simplesmente deixa de existir algo que faz com que tenha dado certo até o momento. Confesso que não estou preparada para dizer adeus, nem por mim e nem que digam pra mim. E quando olho em volta, não tenho muito mais outras pessoas íntimas. Pois me calcei nesta amizade e na importância ímpar que sempre tiveram para mim que obviamente mesmo muito essenciais na minha vida, os outros amigos não conseguem ter comigo nem um terço de tudo que tive e acho que ainda tenho com os amigos de fé. Sei la´tô meio sem chão, meio se referências, meio que tentando entender vagando no escuro para me achar.


"Estar lá' é ser mão que entrelaça seus dedos aos nossos, desmanchando os nós, afrouxando as defesas, apaziguando as imprevisibilidades; 'Estar lá' é amparar dúvidas, dissecar incertezas, afugentar medos; É segurar a barra quando a vida pesa além da conta, e não baixar a guarda quando a imperfeição dos dias faz morada no vitral de nossa paisagem. 'Estar lá' é correr para ver o céu se colorir de vermelho no fim do dia e não se esquecer de partilhar a novidade com quem ama, nem que seja à distância, somando e dividindo a alegria. É absorver a felicidade inteira, para depois dividi-la em pedaços generosos descobrindo que só assim restará beleza e euforia. 'Estar lá' é entender que a vida não é uniforme, ela é repetitiva; e se estivemos presentes num momento importante, o estaremos sempre, e sempre, e sempre, de uma forma ou de outra; 'Estar lá' é nunca ser ausência que dói, que machuca, que vira lembrança e depois ressentimento. É entender que é necessário fazer-se presente, mesmo que de uma forma invisível, mas ainda assim, viva. É aprender a conduzir uma dança que só pode ser dançada a dois, relevando a falta de jeito de quem tenta, ou ao menos se esforça pra ser o melhor enquanto está lá. 'Estar lá' é ser capaz de perdoar, colocando uma pedra em cima de certas instabilidades e dissonâncias, desenvolvendo a paciência e a tolerância de quem apenas quer estar lá..." Fabíola Simões


Sei que não posso passar a vida a me lamentar esses acontecimentos que por escolha ou não fato que aconteceram e não foram passageiros. Ou eu aprendo a me virar com isso ou largo de mão, para o meu próprio bem. Porque eu fico me consumindo demais com isso. Me chateando além da conta. Deixando tomar uma proporção bem maior do que de repente é. Mas é difícil conciliar razão e emoção. Mas também tô começando a deixar Deus guiar, sabe? Muitas coisas na minha vida! A gente aprende por bem ou por mal.  E de repente, vai que as coisas mudam... pra melhor ou pra pior eu não sei. Mas é um bom aprendizado, sobre mim e sobre os outros. Quem sabe desta vez eu aprenda algo... ou não! Mas fato: ou dá ou desse, nessa lamentação, saudosismo e chateação, não dá pra ficar!





Agrecer, sempre!


Muitas vezes a gente se esquece deste simples ato. Não precisa de um dia cheio de grandes feitos. O real motivo é por acordar, ter saúde, um lar, família, emprego, voltar são e salvo pra casa, comida na mesa e não faltar nada na vida, principalmente proteção e a bênção de Deus!


29 de julho de 2015

O Boticário Comercial "Adoçao" Dia dos Pais

Que linda campanha, impossível não se emocionar. Ser pai e mãe é acima de tudo amor! Um filho pode não nascer do ventre e não possuir a mesma genética, mas com certeza, nasce pra sempre no coração dos pais a partir do dia em que entra na vida deles. Parabéns ao O Boticário que mais uma vez foca na sutileza das emoções para encantar.

Coisas que aquecem o coração...



Coisas que aquecem o coração: mais uma vez sou surpreendida por uma cena matinal. Meu ônibus pára no sinal e eu estou à janela, perto de uma calçada onde havia um senhor, morador de rua dormindo acompanhando do seu au au. Ele dormia em cima de um pedaço de papelão, coberto por um resto de manta quase se desfazendo. Uns sacos plásticos emaranhados eram seu travesseiro e o cãozinho ao seu lado dormia em cima de um jornal esticado. 

Uma senhora, acompanhada por uma moça mais nova vestida de branco, imagino que seja sua acompanhante, sai do portão do prédio quase em frente onde o senhor dormia. Ela para, olha para a cena e aponta sua bengala e cochicha com a moça. Cena não mais que incomum de pessoas indignadas não só com a condição social e a dura realidade de alguns, mas por vir esfregar isso à sua porta. Padrão de zona sul e de muitos por aí! Ser condescendente com o sofrimento humano, desde que seja longe. Porém, fui traída pelo meu pré-julgamento. A cena que eu presenciei a seguir foi de amolecer meu coração adormecido e descrente de boas ações de graça. 

A senhorinha apoiada na sua acompanhante e na bengala se aproximou do senhor, com muito custo para abaixar o tocou e o acordou, disse meia dúzia de palavras obviamente inaudíveis para mim, por conta dos meus fones e da distância, olhou para a moça que prontamente retirou de uma sacola que carregava consigo um cobertor, alguns agasalhos, um travesseiro e uma caminha para o au au. O senhor ficou perplexo! Não deve ter tido muito bom tratamento e ter usufruído de muita generosidade na sua condição vida afora. Ele disse algumas palavras para a senhora e a moça que a acompanhava e levou as mãos ao rosto, cobrindo e tentando abafar o choro. A senhora ainda abriu a carteira e retirou um dinheiro que deu ao senhor, imagino que deva ser para comprar comida ou algo assim. A senhora e o senhor trocaram mais algumas meras e rápidas palavras e ela acenou para ele, virou as costas e seguiu seu caminho, batendo papo com a moça. Ele, ainda incrédulo, olhava tudo que tinha recebido, fazendo carinho no au au e com cara de feliz. 

E eu mais uma vez tomei uma boa e bela lição do acaso. Por estar na hora certa e no lugar certo para presenciar momentos que não tem preço. Vivemos tão rodeados e assombrados pela violência que tudo e todos nos apresentam perigo. Quantos de nós não aperta o passo, segura mais firme a bolsa e olha pra frente quando nos deparamos com moradores de rua? Eu faço isso muitas vezes. Mesmo quando são pedintes e eu fico tentada a ajudar vendo a condição, ainda sim, tenho medo, principalmente se estou sozinha. Nos dias de hoje é muito difícil acreditar nas boas intenções de estranhos. Porém, já tive várias provas de pessoas que cruzaram o meu caminho do nada de que nem todas as pessoas que moram na rua são dadas a marginalidade. Nem todos que se aproximam para pedir uma ajuda estão prestes a nos assaltar ou cometer algum ato violento. Mas por não conseguirmos distinguir quem é do bem e quem é do mal, às vezes o justo paga pelo pecador, como se costuma dizer. Mais uma vez, um estranho me dá lição de vida. 

E eu que seguia meio chateada, de mal humor e sem vontade de nada para o meu destino, deixei o desânimo se esvair pela janela. Sempre há uma situação pior que a nossa, onde muitas vezes reclamamos de barriga cheia sem de fator nos darmos conta do quão abençoados somos. Hoje não é um dos dias mais frios, mas meu coração se encheu de bons sentimentos e principalmente se aqueceu com a ternura e a solidariedade daquela senhora. E rezo agora para que ela tenha uma vida longa e que possa disseminar seus lindos gestos por mais pessoas, pelo mundo. Porque é disso que a gente precisa, ter mais atitude por nós mesmo, nossa própria vontade, independente de achar que a obrigação é do governo e etc e tal. E ter mais amor ao próximo, mais solidariedade, mais generosidade, mais coragem para nos aproximar desta dura realidade crescente, apesar do medo e da desconfiança que já fazem parte...

28 de julho de 2015

Vamos nos permitir...


"As pessoas estão levando tudo tão a sério que isso se torna um fardo para elas. Aprenda a rir mais. A risada é tão sagrada quanto a prece..."

Osho

"Parabéns, Rio...


Texto do aluno do Colégio Fator, Horácio Maciel, 16 anos, sobre o aniversário de 450 anos da cidade do Rio de Janeiro

"Parabéns, Rio...

Parabéns, rio
Por tantos anos e tantos filhos
Por aguentar tantas balas, de tantos tiros.
Por suportar aquele policial que atira,
Mas erra a mira.
E bota a culpa na pequenina menina
Que brincava na pracinha.
Por suportar aquele cidadão,
Que acaba de comer e joga o lixo no chão,
Sem pensar no irmão,
Que só tem para comer, migalhas de pão...
Que morre e perde a casa na enchente, depois é dado como indigente...
Parabéns, rio
Pela educação com os que entram,
Mas nenhuma para os de dentro,
que mal conseguem arranjar o próprio sustento.
Parabéns, rio
ao transporte prestado
Que mal serve para CARREGAR o proletariado.
Pela segurança que nos é disposta,
Ou melhor posso chamar DE BOSTA.
E com os braços abertos,
o ingênuo cristo,
"abençoando todo o rio"
Mas de braços estendidos, o povo, andando num finíssimo pedaço de fio...
Esticado sobre um RIO
De famintos CROCODILOS.
Mais uma vez,
Parabéns, rio
Pela fidelidade,
Mas 450 anos é fácil,
Difícil é o número de mortes ser menor que a idade."



27 de julho de 2015

Feliz 6 anos!


Oi amor, hoje é um dia muito especial pra nós. Não são 6 dias, 6 semanas, 6 meses. São 6 anos! E não só porque completamos anos juntos. Mas porque permanecer junto frente às adversidades e tempestades da vida, os problemas do dia a dia é uma conquista. São 6 anos de acertos e erros, risos e choros, experiências indescritíveis, histórias únicas. Olhando para tudo que caminhamos parece que estamos há muito mais tempo juntos. Outras, fico boba de já ter isso tudo e não ter visto o tempo passar. Parece que foi ontem que começamos despretensiosos e de repente, estávamos lá com objetivos de vida e vontades em comum como sermos 1+1 e dividirmos a cama, os sonhos, momentos e uma história. Juntamos escovas de dentes, bagagens de vida completamente diferentes e o propósito de sermos felizes. E não foram só flores no caminho. Tivemos percalços. Tivemos momentos difíceis sim. Mas também tivemos momentos maravilhosos, de vitórias, de sucesso, de muitas felicidades e de realizações. Aprendemos com nossos erros. Eles nos deram mais força e união. Crescemos e amadurecemos juntos e ainda tem muito mais nos esperando mundo afora. Os anos passaram e o meu sentimento em relação a você e à nós continua o mesmo. Hoje olhando pra trás e pra frente a única palavra que me vem é realização. Obrigada por ser neste tempo todo meu tudão! Obrigada por ser simplesmente quem você é, alguém que me orgulho todos os dias por ter em minha vida, com suas qualidades e defeitos. E obrigada Deus por ter feito alguém perfeito em suas imperfeições sob medida pra mim. E por falar Nele, qje continue nos dando paciência, perseverança, sabedoria e fé para continuar essa jornada. Que essa data se repita por muitos anos mais e que a cada ano a gente veja novas e mais razões para comemorar, sempre. E que venham mais 6, 66 anos pra te acompanhar. Porque é você, sempre será você, minha escolha, minha certeza, meu amor. Pra você, o meu eterno sim... Te amo vidão!

Ps: difícil selecionar os melhores momentos. E mais difícil ainda é fazer caber todos aqui. Um breve resumo da nossa história, que ainda tem muitas páginas para escrever.




E meu dia amanheceu florido! ‪#‎feliz6anos‬ 



E hoje a comemoração foi na nossa casinha com menu feito por nós dois!





20 de julho de 2015

Amigo não se encontra, se reconhece...




O colo de uma amiga

Aqueles dias em que só elas resolvem.
Tem dias em que a gente acorda e não queria a mãe, nem o namorado,
nem o sapato novo e nem mesmo o Adam Levine. Tem dias em que a
única solução é uma delas por perto.
Você e elas.

Elas. Que colocam o dedo na ferida e na sequência fazem seu curativo.
Que te julgam e nunca te condenam. Que apontam todos os seus erros e
desenham o mapa do caminho mais seguro. Que dizem que vão te matar
se você fizer isso de novo e você faz de novo e elas não te matam.
E te resgatam.

Tem dias em que a gente só queria que não tivesse trabalho, não
tivesse distância, não tivessem maridos, namorados e casos. Que
a gente queria acordar como nos velhos tempos, edredons para dormir
no chão, sem hora para se levantar.
Pijama e elas.

Elas. Do brigadeiro na panela, nada gourmet. Do Diário de Bridget
Jones, do Diário da Princesa, do Diário de uma Paixão. Elas, diariamente.
Elas, que são nossa terapia sem precisar dizer nada, pelo simples fato
de estarem lá, compartilhando as calorias, as frases decoradas dos
filmes, as angústias secretas do nosso peito.

Tem dias em que não dá pra esperar até sexta. Que tem que ser agora,
como era na escola, na faculdade, na pós, na chegada no trabalho. Que
vocês iam até o banheiro pra conversar e chorar e rir e demorar e curar.
Banheiro e elas.

Elas. Que são onipresentes, que mesmo não estando, estão. Que mesmo
quando a gente não pode se jogar em seus braços, nos amparam. E que
mesmo que a gente não consiga nem mesmo falar, contar, lamentar, mesmo
que elas não saibam de nada, o simples fato de pensar nelas já acalma.
Mas não basta.

Tem dias em que o mundo parece injusto, que os dias parecem vazios,
que as tecnologias parecem inócuas. Dias em que a gente quer que elas
peguem no nosso cabelo, digam que precisa hidratar. Que a gente quer
segurar aquela mão tão conhecida, com esmalte lascadinho na ponta. Dias
em que a gente quer colo seguro de amiga. Segurança e elas.

Elas que não têm o colo acolhedor de mãe, nem o peito protetor de um
namorado, nem o poder de um sapato novo, nem o abdômen tatuado do Adam
Levine. Mas que são um oásis quando a vida parece difícil, um norte quando
estamos sem rumo, um cais para onde podemos eternamente voltar. Elas,
as únicas que brigam, apontam e julgam sem doer. As únicas que jogam
as verdades evitadas, mas em cujas mãos viram purpurina. Elas, que
colorem a vida nos dias cinzas. Que adoçam o peito quando ele ameaça
ficar amargo.

Elas. Elas e mais nada.

Ruth Manus