27 de maio de 2016

A sua dor é a minha também


 

Minha revolta e indignação não é só por essa jovem e esse caso específico por mais asqueroso que seja. Que a polícia apura se foi exatamente como aparenta ser, mas que de qualquer modo não invalida o caráter monstruoso destes vulgos "homens". É por todas as mulheres! Aquelas que não ganham as capas e manchetes de jornais. Aquelas que ninguém nem sequer sabe o que aconteceu. Mas elas sabem. E muitas se culpam. Não, não é culpa de vocês.

A cada cinco minutos 11 mulheres são estupradas, agredidas, violentadas, física e moralmente fora e dentro de casa. Chega disto! Queremos respeito e dignidade. Que a nossa roupa, ou lugar que frequentamos, ou com quem andamos, ou nosso jeito de ser não seja um precedente para "estou facilitando ou permitindo que algo seja feito comigo". Estupro é crime e o seu caráter não depende de conduta e permissividade da vítima. E culpabilizá-la não vai resolver a questão, pelo amor de Deus! Assim como uma freira não merece ser estuprada, uma garota de programa também não. E nenhuma outra pessoa por sua raça, opção sexual, conduta, tipo físico, independente de qualquer coisa. Estupro é crime e não um ato que possa ser usado para "dar uma lição" ou ser um "cala boca" pelos usuários deste tipo de violência. É um ato desalmado de pessoa sem amor e respeito ao próximo. Crianças, bebês são cruelmente defloradas pelas mãos doentes e sádicas muitas vezes de um próprio familiar. Pausa para eu ir vomitar...

Muitas mulheres são estupradas dentro do tipo "correto moralmente" pela sociedade: indo ou saindo do trab., da igreja, de casa. Com roupa "comportada". De jeito "recatado". Do tipo "família". Com "namorado". Não vivem em nights, festas, baladas. Não bebem, não fumam, não dançam até o chão, não andam por aí e nem com qualquer um, não se expõem. E mesmo assim nada impediu que fossem violadas gratuitamente, de maneira brutal. Um banho pode lavar o corpo sujo. Mas e a alma e a dignidade, quem limpa? E as lembranças daquele momento quem apaga? E a alegria de viver, a paz de espírito, quem devolve?

Há anos muitas famílias criam seus filhos para serem homens com H e reproduzem ditados e discursos machistas, preconceituoso. E justificam suas atitudes condenáveis com a célebre frase que passa de geração em geração: "ah, mas ele é homem!". Ser homem não dá o direito de agir de maneira indigna com nenhum ser humano. E de mais de trinta homens não teve um que tivesse consciência do quão errado era aquilo tudo e parasse. Lembrando que não é uma generalização. Existem muitos homens decentes e que agem de acordo com os valores que lhes foram ensinados e fazem questão de transmitirem isso à seus filhos. Existem muitos homens que tratam as mulheres como o espelho de tratamento às mulheres de sua família ou convívio.Existem muitos homens que sentem nojo e repudiam qualquer tipo de violência, principalmente à mulher e sentem vergonha de fazerem parte da mesma classe de gênero destes covardes criminosos. Homem que é homem não precisa usar da força bruta para se reafirmar seja lá do que.

Mas não é só a questão da educação familiar, histórica (estupro acontece desde sempre com as índias, escravas, civís em meio à guerras, no próprio ambiente familiar) e cultural enraizada. Vivemos tempos de grande desvalorização, do corpo, de uma vida. Infelizmente, precisou acontecer mais um caso dentre tantos que ocorrem diariamente, e que nossa revolta fosse tamanha que não coube dentro de nós e ganhou o mundo para que as autoridades olhassem de verdade para a gente e enfim, constatar que precisamos de punições mais severas e eficientes. Precisamos de força máxima para coibir, diminuir, extinguir esse mal.

Todo ser humano vive com medo nos dias de hoje. Mas parece que nascer mulher é lutar todos os dias para se defender das tantas ameaças no nosso caminho. Vivemos inseguras e com medo. Nos tornamos alvos fáceis, vulneráveis, por mais forte que sejamos. A grande maioria perde sua vida e vira estatística. Ou exemplo do que não fazer para as demais, para elas não serem as próximas. Chega disso!

Queremos respeito! Queremos segurança! Queremos justiça! Queremos o direito de ir e vir, liberdade de expressão, de ser quem somos, de agir como acharmos que devemos e que isso não seja parâmetro para definir o que merecemos ou não que nos aconteça algo por isso.

Então, por todas as Beatriz, Ana, Maria, Fernanda, Joana, Helena, Sandra, Juliana, Camila, Roberta, Silvia, Patricia, Carolina... minha indignação e meu grito de basta! À Deus, clemência por um mundo melhor. 33, 30, 3 e que fosse 1. O número é que menos importa, apesar de amedrontar. O que pega de fato é a impotência que temos diante do ocorrido, e a comprovação dia após dia de que, infelizmente, não foi o último caso. Qualquer uma de nós pode ser a próxima... Ao enxugar minhas lágrimas ao final desta triste reflexão, espero estar enxugando as suas também.


19 de maio de 2016

Saber entender, esperar e confiar: aprendendo a aceitar Deus em sua essência e desmandos!




Refletindo sobre uma frase que li: "E se Deus disser não? Você está pronto pra dizer amém?". 

Pois sempre dizemos que confiamos a Ele para que seja feita a sua vontade e que Ele sabe o que é melhor pra nós. Mas lá no fundo, a gente cruza os dedos e todos os dias logo cedo dá uma olhada pro céu e pede pra Deus que nossas vontades coincidam com as dele. Mas caso não, que a dele prevaleça e que seja feito sempre o melhor para nós! Mas e se for da vontade dele nos vetar algumas coisas? Nos fazer passar por vales de sombras? Mesmo assim vamos continuar a acreditar que está sendo feito o melhor pra nós e que Deus sempre sabe o que faz?  

Tô aprendendo a duras penas a elevar minha fé, minha espiritualidade, independente de religião. Passo por alguns momentos na vida que duvido, não só que Deus exista, mas que ele de fato saiba o que está fazendo comigo e que está fazendo o melhor pra mim, independente da minha aceitação ou compreensão. Tô aprendendo que o tempo de Deus é diferente do nosso. E quanto mais ele demora para agir, melhor vai ser o feito, e que a caminhada para o fim importa mais que a chegada de fato. É nela que aprendemos e crescemos. Sei que para alguém ansioso por resultados logo é difícil esperar. E não bastasse esperar, ainda confiar em algo que não se sabe. Mas a vida ensina.

Ainda tenho dias e momentos nebulosos que fico com raiva do tanto de pessoas que me dizem "tenha fé" diante de uma situação que tá na cara de que somente fé não vai mudar drasticamente as coisas. Mas sim, ajuda, não vou negar. Mas depois, me pego no silêncio do meu quarto, da minha alma, conversando com Deus. Não  faço nenhuma grande preparação espiritual para isso, pois o meu Deus é simples, vai me ouvir e dar um jeito de me mostrar as respostas e ensinamentos independente do jeito que eu me apresente para ele. E quando não consigo falar e nem ao menos pensar, vou de encontro à natureza. Sento e olho o mar, caminho no meio da mata, me banho numa cachoeira, coisas assim... pois sei que nestes mínimos momentos e assim como todos, Ele está lá. Mas existem uns que estamos mais suscetíveis que outros, nos abrimos mais, mesmo que a gente não perceba. Saber entender, aceitar e confiar mesmo nos momentos difíceis e esperar o tempo necessário para as respostas é a verdadeira lição, muitas vezes! Confesso, embora esteja melhorando nisso depois de muitos acontecidos, ainda sou falha. E tem dias e momentos que a minha paciência, perseverança e compreensão estão por um fio diante de tudo que acontece. Quem sabe com o tempo eu aperfeiçoe esse lado de crença e espiritualidade sem questionamentos.  

Deus sempre sabe o que faz! Cresci ouvindo essa frase. E cresci ouvindo também que as coisas acontecem porque tem que acontecer, porque há uma razão pela qual elas acontecem, mesmo que a gente não entenda. Assim como, que o que é de cada um está guardado. Pois bem, por esses dias, não sei porque, comecei a questionar certas coisas. Não, não estou duvidado de Deus! Longe de mim! Mas fico me perguntando se de fato é realmente assim...   Não sou uma pessoa ligada diretamente à religião. Possuo a minha fé, tenho as minhas crenças e ajo de acordo com as minhas convicções e valores. Apesar de acreditar em Deus, nunca me foi passado ser obrigado a crer como verdade absoluta tudo que é falado acerca dele e da religião. Talvez daí venha o fato de questionar muito do que se é dito. Não tenho por mim aceitar e pronto, fim de papo! Apesar de seguir a religião católica mas não me considerar propriamente praticante, tem coisas que eu gostaria de tentar entender melhor, como essas máximas que são ditas a torto e a direito por aí.  




Todos os dias chovem matérias de mortes, assaltos, estupros, agressões, torturas, brigas, assassinatos, pedofilia, violência gratuita contra todo tipo de gente. Vejo crimes bárbaros, hediondos, de caráter até divertido para seus praticantes, crimes por nada. E fico me perguntando, além de onde vamos parar com essa sociedade tão violenta, se realmente Deus sabe o que faz. Por que coisas desse tipo acontecem com as pessoas que não merecem? Já ouvi inúmeras vezes que cada um já tem predestinado seu caminho, isso claro para quem acredita em astrologia e todas as "gias" que existem. Dizem, na religião espírita que se paga nessa vida o que se fez de errado na vida passada. Se isso for verdade, até faz todo o sentido. Mas e se não for, continuo não vendo razão para algumas pessoas sofrerem o que sofrem. Não faz sentido! Pessoas de boa índole, de caráter, dignas, de bom coração, de boas intenções e atitudes verdadeiramente incontestáveis, pessoas inocentes, pessoas puras. Não creio que essas pessoas tenham merecido sofrer qualquer tipo de dor, sofrer com as consequências dos atos insanos de alguém. Sofrer com a crueldade doentia alheia. Não creio que isso fizesse parte do destino delas. E cadê Deus nessa hora para olhar por essas pessoas? Me sinto indignada, revoltada, decepcionada. Porque o meu Deus é tão bom e misericordioso e justo, Ele não permitiria um sofrimento assim em vão.     

Em situações onde a maldade é demais até para a própria maldade, me sinto vazia, sem nada e nem ninguém  em que me agarrar para continuar tentando acreditar que existe uma salvação para isso que estamos vivendo. A minha intenção não é debater religião e as crenças dentro delas e sim entender, se as coisas que acontecem todas são por vontade de Deus. Eu juro que não consigo aceitar!  

E entra século e sai século e essa frase "Deus sempre sabe o que faz" continua correndo o mundo sendo tida como verdade absoluta. E a grande maioria acredita nela até viver alguma situação muito ruim e então, passa-se a ser descrente de Deus. Justamente por elas não verem sentido pelo que sofrem ou passam, começam a questionar o mesmo que eu: por que Deus deixou isso acontecer com elas e cadê Ele para impedir que tal coisa acontecesse? Ninguém iria debandar da crença em Deus, ou duvidar do que Ele guarda para nós se nos fosse passado desde sempre que vão existir coisas que vão nos acontecer que independe da intercessão, independe da vontade de Deus. Coisas boas e ruins simplesmente acontecem. Então, encararíamos com mais naturalidade o simples fato de que podemos sofrer de tudo na vida. Mas não, somos instruídos a acreditar que algo maior toma conta de nossas vidas e de nossos caminhos, nos guia, nos guarda, nos ilumina, olha por nós. E é a Ele que devemos atribuir todas as coisas boas que acontecerem na nossa vida. Mas... e as coisas ruins? A quem vamos atribuir? A nós mesmos? Somos culpados pelo que nos acontece? Somos nós que nos colocamos nas piores situações da vida? Acredito que muitas vezes sim, porém, muitas vezes não. E quando temos certeza que não fizemos nada que nos colocasse em perigo e nos causasse mal, ficamos mais céticos em relação a divindade.  

Acho que nunca vou achar uma explicação plausível para o porquê de certas coisas acontecerem com determinadas pessoas. E nunca vou conseguir saber se de fato se tudo que nos acontece tem um dedo de Deus ou não. Só sei que depois que somos acometidos por certos sentimentos, é bem difícil continuar mantendo o bom coração e a fé, em si, nas pessoas, no mundo e em Deus. Passamos a viver procurando respostas para situações que aparentemente não se explicam. Não se explica porque aconteceram e porque nós. E somos tomados por uma grande dúvida de nossas crenças, de nossos valores, de nossas ações. Tem horas que cansa tentarmos dar sentido a tudo na vida, simplesmente porque muita coisa não faz sentido algum. Fica mais fácil aceitar quando passamos a acreditar que fazemos parte de um jogo onde somos peças escolhidas aleatoriamente para jogar um jogo que não conhecemos, onde a sorte é decidida por nós numa roleta-russa. Assim fica mais fácil aceitar e não se revoltar com ninguém, nem com nós mesmos por temos acreditado num Deus que supostamente sabe o que faz e se ele sabe, supostamente, deixou nos acontecer as piores coisas. Fica mais fácil aceitar quando não precisamos buscar respostas e nem pessoas para culpar. Fica mais fácil aceitar quando simplesmente não esperamos que ninguém saiba o que é bom ou ruim pra nós. Fica mais fácil aceitar quando passamos a contar com nós mesmos para fazer a nossa sorte e não contar que outro alguém saiba o que será de nós! Apesar de sabermos que sim, existe um alguém, o maestro da orquestra da vida...

Então, venho me trabalhando para aceitar sem contestar, embora isso ainda seja muito difícil pra mim. Aceitar que Deus escreve certo por linhas tortas. Que ele sempre sabe o que faz. Que ele faz o melhor pra nós. E que nada é por acaso ou em vão. E às vezes, não é em nenhum dia especial ou num momento importante que as respostas vem. Às vezes, num simples dia qualquer onde nada demais acontece, chegam as conclusões maravilhosas, sou tomada por certezas e positivismo e otimismo, perseverança, coragem e fé, principalmente em mim mesma e na vida. Numa fração de segundos como amanhecer ou entardecer e de alguma forma única e especial sinto a presença de Deus. Inexplicável!

Ainda me considero muito cética para certas coisas. Mas vivendo e aprendendo. Nada como um dia após o outro. Sei que vou me trabalhar e melhorar. Mas tudo a seu tempo. Sei que ainda terei que passar por algumas coisas para crer. Enfim,  nada é perfeito, nem eu rs. Mas ando me sentindo bem comigo mesma com o que carrego dentro do peito com relação à Deus, até mesmo com as minhas intolerâncias e incompreensões por alguns momentos. E assim espero seguir, melhorar e evoluir e consegui entender as mensagens que ele me envia através de formas mil.




18 de maio de 2016

10 coisas para se fazer em dias de chuva



Em dias de de chuva é muito comum aquela preguiça clássica das segundas-feiras tomar conta do nosso ser, o pior é se ainda precisa acordar cedo para trabalhar… Porém, existem várias maneiras criativas para se beneficiar nestes dias mais ociosos devido a chuva.

Abaixo listei 10 coisas prazerosas em se fazer em dias chuva. #Boraler?

1 – Organize seus pertences
Na correria do dia a dia sempre arrumamos mil e uma desculpas para não fazer uma faxina básica em nossas gavetas, armários, estantes e na agenda de contatos… Que tal arregaçar as mangas, dar o play em suas músicas preferidas e dar uma geral? Além de você separar coisas que já não lhe tem mais serventia e que criam apenas poeira e traça, também poderá reencontrar livros, fotos ou o número de telefone daquela/e homem ou mulher que não sabia onde havia anotado.

2 – Sessão de cinema em casa
Nada melhor que escolher pelo menos uns três bons filmes, que está na sua lista à meses ou filmes recomendados que tenha comprado pirata do carinha que passa na sua rua e você nunca ‘tem tempo’ para assistir. O esquema é enrolar-se ao cobertor, deitar-se no sofá e bora para a sessão de cinéfilos sozinho, para os chatos de plantão que não gostam de comentaristas ao lado [incluo-me ao clube] ou convide os amigos, e caso namore procure assistir juntos gêneros que agrade o seu amor.

3 – Que comecem os jogos!
Não tem preço reunir a família, amigos, amores e confinar todos num mesmo espaço em dias chuvosos para começar uma sessão de jogos. Seja para carteados como: truco, poker, tranca ou dominós, ação e imagem, banco imobiliário, entre outras, que farão o dia ser muito mais proveitoso e divertido!

4 – Maratona de séries
Já fiz isso algumas vezes assistindo as temporadas de séries como Law and Order, House e Sexy In The City nos fins de semana. É semelhante a dica da sessão de cinema em casa, porém com dedicação total a embarcar em seus seriados favoritos… Recomendo!

5 – Games day!
Reúna os amigos e convide para jogar os seus games favoritos e de quebra rever e relembrar histórias dom pessoas que há tempos não encontram. Agora caso a preguiça seja mais forte o ideal mesmo é jogar online.

6 – Dormir… Zzzz
Confesso, que muitas vezes em dias de chuva quero apenas dormir até mais tarde, tirar um coxilo depois do almoço e quem sabe hibernar na cama até a chuva parar. É muito bom dormir ouvindo o som da chuva, não acham?

7 – Desligue a TV e leia um livro
Bem mais que um slogan da MTV de alguns verões passados, desligar a TV e mergulhar em romances, ficções e dramas por meio de livros, é uma excelente pedida para dias de chuva. Amo ler! Em dias chuvosos ficam melhores ainda para se concentrar na leitura.


8 – Namorar ou dormir agarradinho
Quem não gosta de namorar em dia de chuva heim? É a melhor hora para estar do lado de quem voce gosta, abraçadinho e fazer um programinha à dois, curtindo um bom filme, uma pizza, pipoquinha... Namorar faz bem a saúde, não preciso dizer mais nada rs.


9 – Cozinhar
Ir para a cozinha, pegar o caderno de receitas e pôr a mão na massa pode render um bom prato. Quem não gosta de sentir aquele cheirinho delicioso de bolo, brigadeiro, uma massa quando está chovendo. Acompanhado de um vinho então, hum...


10 – Tomar banho de chuva
Tem quem tenha feito isso só quando era criança. E na fase adulta simplesmente se esqueceu de que para viver muito é preciso ser feliz. Principalmente com simples momentos. Um banho lava a alma e simboliza um novo começo em sua vida. Aproveite para lavar todos aqueles pensamentos e sentimentos ruins que só pesam na cabeça e no coração e veja o mundo de outra forma.













E você o que está esperando para ir lá fazer alguma destas coisas?

10 de maio de 2016

Adquirindo o autoperdão!




Autoperdão é a capacidade de aceitar quem você realmente é e de amar completamente o ser que você é! Aprendemos com o autoperdão que não existe certo ou errado, existem aprendizados, que nossas escolhas são consequências de nosso nível de consciência, e no decorrer da nossa jornada vamos expandindo nossa consciência. Assim muitas coisas que fazem sentido para nós hoje, não fariam há alguns anos atrás, e não há então a necessidade de se culpar pelas escolhas passadas.

Aprendemos com o autoperdão que somos vulneráveis, que temos fragilidades e não há nada de mal em aceitar isso, pelo contrário, somente muita leveza, pois não é preciso mais sustentar nenhuma "capa" (EGO) para mostrar que é forte.

Aprendemos com o autoperdão a curtir nossa jornada de aprendizados com muita humildade e assim compreender QUE ESTÁ TUDO CERTO!

Vocês podem (se sentirem no coração), fazer essa prática para desenvolver autoperdão. Diariamente, repita 3x ao dia, com o foco da sua atenção no seu coração a seguinte frase, dirigindo-a a você: 

"Eu por AMOR à você dou o que há de melhor em mim, sinto muito se te magoei, me perdoe por algo que eu tenha feito. EU TE AMO e sou GRATA!

 Janaína Rosa





9 de maio de 2016

Ser mãe também é...



Tarefa difícil essa de ser mãe, né?
Espera-se que desde o ventre ela já seja aquela verdadeira mulher maravilha. Depois que o baby vem ao mundo então, aí espera-se que o tal do instinto maternal venha à tona e como num passe de mágica, solucione tudo. Só que na prática, não é assim...

Mãe não sabe tudo, não tem todas as respostas, não é autossuficiente, não tem o dom de evitar que algo aconteça com os filhos.

Mãe tem medo, insegurança, cansa, chora, surta, não é forte o tempo todo e nem dá conta de tudo, sozinha muitas vezes.

Mãe erra, tentando acertar, mas erra. Comete equívocos achando que está fazendo o melhor. É um aprendizado diário o desse papel onde são colocadas à prova de resistência nas mais diversas situações. E nem sempre se saem bem com excelência, mas fazem o melhor que podem, da maneira que podem, sempre.

Mãe que é mãe já vem com uma culpa natural de ser relapsa, de ter que trabalhar fora, de ter que abdicar de si em prol dos filhos. E nos dias de hoje, ainda tem que lidar com o julgamento e achismos de uma sociedade que cria regras e parâmetros para ser 'boa' ou 'má' mãe. E isso tudo já é duro o suficiente e às vezes ainda tem os problemas financeiros e emocionais que a assombram. Mas, muitas vezes nem transparecem isso para os filhos.

Ela se vira, dá um jeito, o seu jeito e segue. Nem sempre como planejava, mas segue a vida.
Espera-se que o amor incondicional seja o solucionador de todos os problemas. Amenize todas as angústias. Compense todas as dificuldades. Mas infelizmente, não é. E a mãe tem que se reinventar para lidar com todas as adversidades. E lidar bem consigo perante todas as escolhas e decisões que tem que tomar.

Mãe custa a aceitar que às vezes não tem jeito mesmo, que é impotente perante algumas situações da vida. Justo ela que já deu tanto jeito, mesmo que torto, pra fazer as coisas darem certo (mesmo quando não dão), mas de braços cruzados ela não fica.

Mãe quer ser mil e uma, curar doença e dor, ser porto seguro e norteador, quer ser tudo o que um filho precisa que ela seja, superando até suas próprias capacidades de ser.

Talvez porque seja mãe!
Solteira, casada, divorciada, viúva, adotiva, in memorian, presente...
Mãe é mãe!
Sem receita certa para fazer dar certo. Sem garantias de que vai ser bem sucedido. Ser mãe é aprender todos os dias, com os mais variados acontecimentos, a ser mãe.

Então mães, se absolvam, se relevem, se tolerem, sejam menos críticas, perfeccionistas e peguem mais leve consigo. Nós, seus filhos amamos vocês por tudo e por nada, por apenas existirem em nossas vida. Por seu perfume, seu jeito, seu olhar, seu abraço, seu carinho, seu sorriso e até suas broncas. Mas sabemos que suas maiores alegrias e satisfações, na verdade, é verem um(a) filho(a) se tornar uma pessoa íntegra, com caráter e valores, vivendo dignamente, trabalhando honestamente, crescendo na vida com os princípios ensinados, fazendo valer a educação de casa que lhe foi dada, sendo feliz, prosperando, sendo bem sucedido e seguro com suas escolhas, tendo saúde, construindo sua vida da melhor forma possível. Pois ali, está seu dedo, sua dedicação, seu zelo, suas noites em claro, suas prioridades, seus cuidados, sua educação, suas broncas e puxões de orelha, suas lágrimas e risos. O seu sucesso como mãe pode ser visto na formação de um filho. Mesmo aqueles que descambam do caminho certo que lhes foi ensinado, ainda sim, na grande maioria das vezes, foram educados e criados para serem do bem.

E por mais anos que se passe, nunca conseguirão traduzir em palavras a essência e complexidade de ser mãe. A amplitude desta palavra só não é maior que o tal amor incondicional que ela emana.

Embora pareça que mãe faz curso 'tudo' na mesma escola de atos e falas, cada uma é singular no mundo e para seus filhos. E escreve a cada nascimento uma história com a sua assinatura no final.

Não sou mãe, não tenho filho (só se contarem os de quatro patas rs). Sou filha e tenho uma baita mãe!


14 de abril de 2016

Que eu me livre


Que eu me livre da saudade que não chora, da liberdade que não voa, da sabedoria que não erra.
Que eu me livre do riso que se contém, do grito que faz silêncio e das lágrimas que não rolam.
Que eu me livre do abraço gélido, do aperto de mão por educação, dos olhares que se cruzam, mas não se veem.
Que eu me livre da febre de existir e me lembre da ânsia de viver, aquela que me tira o fôlego.
Que eu me livre daquilo tudo que não me amanhece, não me colore, não me renasce.
Que eu me livre daquilo que me trava o passo, que me vence no cansaço, que me definha rumo ao caos.
Que eu me livre da atenção mendigada, do amor faminto, do amor que falta.
Que eu me livre da sanidade exagerada, do ego camuflado e da mania de me achar com a razão.
Que eu me livre das minhas máscaras e dos trilhos sobre os quais caminho e que não são os meus.
Que eu me livre de tudo aquilo que se toca, mas não se sente.
Que eu me livre daquilo que os meus olhos veem, mas o meu coração não sente.
Que eu me livre de não ousar, não me permitir, não me aventurar naquilo que desconheço.
Que eu me livre do voo interrompido, da decolagem atrasada e do pouso interditado pela falta de ter onde pousar.
Que eu me livre de mim mesma e de todos os meus possíveis e falsos eus.
Que eu me livre de não perdoar, não relevar, não amar.
Que eu me livre das amarras que envolvem minhas asas e das encostas que circundam minha maré.
Que eu me livre daquilo que encarcera a minha independência e me faz refém do comodismo.
Que eu me livre, inclusive, daquilo que é cômodo e inerte, daquilo que me mantém no sofá da casa e da alma.
Que eu me livre do não sentir.
Que eu me livre do não viver.
Que eu me livre de não ser livre.
E que a própria liberdade seja a minha libertação.

(Kamila Behling)


4 de março de 2016

Não leve a vida tão à sério




Não leve a vida tão à sério
Quantas são as irritabilidades que somamos nas nossas vidas nesse famoso dia-a-dia.
Chegamos a perder a direção do nosso dia.
Muitas vezes ocupamos valiosa parte de nosso tempo avaliando a vida dos outros, sendo que precisamos todos os dias rever e aperfeiçoar nossa própria existência.
.
Quantos anos você tem? Quantos anos você ainda terá?
Olhamos para nosso passado e deixamos que as horas passem e nos perdemos no tempo pensando, pensando.
Vivemos a vida de outras pessoas ou até menos os problemas dos outros e o nosso vão passando.
Levamos as coisas tão à sério que deixamos de ver que a seriedade esta em sorrir e brincar.
Acorde para o dia e para vida sentindo o cheiro que sempre lhe foi peculiar, olhando para imagens que sempre te fizeram bem, lembrando das pessoas que se uniram à você para contribuir e somar.
Traga para sua vida um novo dia e uma nova esperança de viver.
Ah! Não leve a vida tão a sério!
Deite e descanse, não durma somente.
Sente-se e almoce, não coma apenas.
Ligue a TV e assista a um bom filme, não só veja.
Leia um livro e não só folheie as páginas.
Caminhe devagar sentindo o ar no rosto e não simplesmente vá.
Ame cada dia como se fosse o primeiro.
Tenha sempre ouvidos para ouvir e palavras para elogiar.
Ouça tudo e não simplesmente finja que está escutando.
Tenha olhos que enxerguem os verdadeiros valores humanos sem descriminar
Ah, viver a vida novamente,
Seja no momento que você esteja agora, não interessa a idade
Não interessa as dificuldades.
Somente conseguimos chegar aonde podemos, e muitas vezes vamos longe.
Não olhe somente para o céu para ver se vai chover ou se o dia será bom.
Veja a emoção e o sentimento que tudo isso lhe trás.
Lembre-se que no passado você brincava e não agendava.
Lembre-se que no passado você sorria e não encenava.
Ah! Mais não leve tudo tão à sério.
A vida e feita de pequenos detalhes que nos passam sem ser absorvidos.
Que a vida sempre será de alegrias e tristezas, é fato.
Mas tudo tem seu caminho e solução, e o que não tem, deixa pra lá...
Lembre das pessoas que lhe fizeram bem,
Ou vai esperar que elas adoeçam para ligar ou visitá-las?
Quanto mais você pensa mais se afasta de tudo.
E quanto mais você critica mais se esconde dos seus erros.
E quando você não admite que erra mais se perde nas decisões.
Você sabe tudo que hoje você tem e tudo que já conquistou.
Mas deve saber que ainda tem muito a buscar.
Agora se levar tudo tão a serio vai perder tempo e as horas passam...
Seja você e sorria!
As pessoas te olham e te avaliam todos os dias, mas que se danem tudo isso, o importante é tudo que você quer e sabe que lhe faz bem.
Seja você a sua vida e deixe a sua vida fazer você viver.
Sabemos que temos tantos defeitos e esperamos tanto para mudar isso
Mas lembre-se, “amanhã eu faço” pode nunca chegar.
Sonhe sempre e ame de verdade, pois os erros do amor são as paredes de uma grande construção.
Viva por você e viva pra viver.
Ah, um simples detalhe da vida, não leve ela tão à sério.

Edson Rufo

29 de fevereiro de 2016

Reflexão para a semana - Aprendendo a não julgar...


Você não tem ideia de como funciona o interior do seu semelhante
Não saber o que a pessoa ao seu lado já viveu
É o que basta para não julgar
Como viveu e seus aprendizados
As feridas nem sempre cicatrizadas
Alguns segredos em olhos cansados
Os sonhos, alegrias e conquistas
As desistências, lutas e tristezas
Temos mania de notar o que queremos
Tentados a enxergar o que convém
Deixamos passar um momento
Tal momento de dizer uma palavra amiga
Um abraço tão esperado
Um convite de quem tanto adora
Ser bem quisto, ser respeitado
Ficamos com o não julgar e respeitar
Não julgar as pessoas o torna único
Ser especial no meio da multidão
Da diversidade e de tanta vaidade
É o suficiente para fazer diferença
Se evoluir é nosso propósito
Comecemos pelo básico
Amar, respeitar e não julgar
Na continuação podemos tentar mais
Tratar do ego e da gratidão
Considerar melhor as diferenças
Notar que dando uma volta ao Mundo
Os seus atos que o encaminharão ao seu devido lugar

L.A do blog Hierophant

22 de fevereiro de 2016

SENTIMENTO DE VAZIO



Muitas pessoas relatam que sentem um vazio dentro de si mesmas. Como se algo as faltasse, como se não estivessem mais vivendo suas próprias vidas.

Existem diversas explicações para o surgimento desse sentimento de vazio que assola boa parte da humanidade. Mas de uma forma geral a explicação é a de que estamos vivendo nossa vida sem levar em conta aquilo que somos lá dentro de nós. Hoje vivemos na era da tecnologia, da informação e do consumo, onde quase não precisamos refletir sobre nós mesmos, onde milhares de soluções são vendidas como “produtos” de mercado, onde descontamos nossas carências na comida, em remédios de diversos tipos e em programas de TV, onde passamos mais tempo num aparelhinho de celular do que convivendo com nossos irmãos, onde também vivemos mais no barulho, no concreto, no cimento e na poluição do que na natureza, junto com a grama verde, o rio que corre, com a brisa matutina do campo ou com os animais que antes alegravam nossa vida. Tudo isso nos proporciona uma sensação de ausência de algo que é essencial, de vazio da alma, um estado de torpor onde apenas reagimos aos estímulos externos, falamos compulsivamente e buscamos o prazer a todo custo, sempre como forma de amenizar um pouco a falta profunda que existe dentro de nossa alma. Essas soluções fúteis podem ser comparadas a alguém que bebe agua do mar para aplacar a sua sede: quanto mais bebemos, mais sentimos sede e a consequência pode ser uma forte disenteria. O espírito da vida parece ter se retirado do mundo atual e dado espaço ao novo reality show ou ao estojo de maquiagem da moda.

E qual a melhor forma de preencher o vazio que fica desse mundo fútil e sem alma?

Em primeiro lugar, é preciso retomar o contato com a natureza. A seiva vital da mãe Terra nos acolheu há milênios e dela nascemos e nos alimentamos. Um dos motivos desse vazio é a dolorosa separação do filho perante sua mãe sagrada. Os filhos da Terra precisam regressar ao seu lar natural, e assim voltar a viver na simplicidade de um belo campo gramado esvoaçando com a brisa, de um canto de pássaro e de um mergulho num riacho de águas frescas e límpidas.

Em segundo lugar, precisamos deixar de ser o que o outro espera de nós. Hoje em dia vivemos sendo tão somente aquilo que as pessoas esperam de nós, apenas para agradar o outro. Sendo assim, deixamos de ser nós mesmos e passamos a ser apenas uma imagem projetada dos desejos do outro. 

As pessoas aceitam ser essa imagem ideal criada para que, com isso, possam se sentir amadas pelo outro, mas obviamente isso nunca dá certo. As pessoas nunca recebem o amor do outro apenas sendo uma cópia do que a mídia e a sociedade determinam. É fato que muitas pessoas comem muito, consomem muito e fazem muitas coisas a fim de preencher esse vazio, mas claro que isso nunca funciona. Parar de viver de acordo com as tendências da moda, com as exigências do mercado, imitando modelos de comportamento socialmente aceitáveis e permitindo que nosso interior expresse aquilo que somos é essencial para aqueles que aspiram a uma vida mais plena e feliz. Neste caso, a vaidade e o orgulho são os principais ingredientes do vazio que se forma dentro de cada um.

Em terceiro lugar, as pessoas precisam se dedicar mais à leituras, ao teatro, a filmes humanistas, à meditação, à contemplação e ficarem mais tempo sozinhas, consigo mesmas. Uma das características do mundo atual é que, de uma forma geral, o ser humano tem medo da solidão, e por isso evita a todo custo o ato de ficar consigo mesmo. Mas quando uma pessoa fica consigo mesma, e percebe o quanto isso é positivo, ela começa a se sentir melhor e passa a não mais temer a solidão. No momento em que ela não mais evitar a solidão, ela pode se libertar, ao menos em parte, dessa tentativa sistemática de ser amado pelos outros, e isso ajuda a extinguir comportamentos de desespero em que visamos ser amados e aceitos. Passamos a gostar mais de nós mesmos, não como mera personalidade, mas como uma essência ou uma luz espiritual que vive e se desenvolve no plano material.

Além dos três aspectos anteriores, é importante também deixamos de lado as futilidades, as superficialidades e passarmos a nos dedicar àquilo que realmente importa, como nossa família, nosso trabalho, nosso desenvolvimento interior, à leituras, à meditação e a reflexão sobre nossa vida. É difícil de acreditar que existem pessoas vivendo no mundo de hoje que jamais fizeram reflexões mais profundas sobre quem são e o que estão fazendo aqui nessa vida. Pare e reflita sobre essas questões fundamentais, e procure se ater a tudo o que é essencial, como valores universais, aquilo que não é tragado pelas correntezas do tempo, como o amor, a caridade, a compaixão, a paz, a tolerância, o respeito, a vida, etc. Faça mais períodos de reflexão e não se aquiete caso você não encontre respostas prontas. A força que empenhamos na busca pelo sentido da vida é muito mais importante do que o encontro com respostas prontas e acabadas. Respostas prontas são sempre dispensáveis, uma vez que podem dar origem ao fanatismo religioso, a intolerância em relação a crenças e comportamentos alheios, além de gerar estagnação e bloquear nosso caminho.

Outro fator importante é permitir que a vida flua com toda liberdade dentro de nós. Emoções presas geram tensão, irritação e depressão. E como fazer isso? Quando sentir vontade de chorar, chore; quando sentir desespero, se desespere; quando sentir raiva, bote para fora sem atingir outros; quando sentir tristeza, fique triste; quando sentir alegria, viva essa alegria; quando sentir uma emoção, permita sua livre expressão. Não fique prendendo seus sentimentos, não tenha vergonha de demonstrar o que sente e nem acredite que emoções que vêm à tona implicam em fraqueza. Pessoas que vivem se anulando, se reprimindo frequentemente têm problemas com suas emoções, e passam a viver como zumbis, autômatos, frios e sem alma. A partir disso cresce um vazio dentro delas. Não importa se hoje você está triste ou melancólico, amanhã você estará melhor. Ficar bloqueando a tristeza só fará com que você não olhe para ela, não a descarregue, não a libere, e assim ela ficará represada dentro de você e causará muito mais efeitos deletérios em seu psiquismo.

Reflita sobre esses pontos e procure praticá-los em sua vida. O vazio interior é ausência de uma existência plena onde vivemos pelo mundo ilusório e não pela essência que existe dentro de tudo e todos.

20 de fevereiro de 2016

Parem de ser mimados e lutem pelos seus relacionamentos


É muito fácil jogar a toalha.

Uma vez li em algum lugar que os relacionamentos são como as casas: quando uma lâmpada queima você não muda de casa, você troca a lâmpada. Nunca esqueci disso. Sobretudo porque às vezes acho que as pessoas não estão tendo saco para trocar lâmpadas, nem para cuidar de casa nenhuma.

Claro que não venho aqui com um discurso antiquado e equivocado, dizendo que as pessoas devem aceitar viver em relacionamentos infelizes. Isso nunca. A vida é muito curta. O que venho me perguntando é se as pessoas não estão jogando a toalha cedo demais.

Me pergunto se as pessoas não estão confundindo os relacionamentos da vida real com os dos finais de filmes. Até porque os filmes não se preocupam em nos mostrar que o “felizes para sempre” é uma construção permeada por alguns dias infelizes e não um conto de fadas hipócrita.

Fico pensando: se as pessoas investissem muito dinheiro num negócio, uma pequena empresa, como projeto de vida, quanto elas lutariam por ela. Quantas noites mal dormidas elas aceitariam em nome de um projeto no qual elas apostaram tantas fichas. Quantas chatices: conversas com o contador, prestação de contas, cobranças de clientes. Eu tenho certeza de que quase todos os que conheço aguentariam firme, com coragem, compromisso e foco para concretizar essa meta.

E questiono se essas pessoas investiriam esse mesmo tempo, essa mesma energia, se teriam tanta paciência e compreensão com os momentos difíceis dos relacionamentos que elas decidiram viver. Se elas também pensariam “isso é um projeto de vida, é algo que estou construindo e que nem sempre vai ser fácil ou divertido”. Será que as pessoas cuidariam dos seus amores de forma tão decidida quanto cuidariam do seu patrimônio?

Eu fico assustada. E acima de tudo, fico triste. Não acho a menor graça em ver meus amigos saindo de casa. Nunca vou olhar com naturalidade para o rompimento, para o velório dos sonhos a dois, para o enterro de tantos planos, de viagens não feitas, de histórias não vividas.

Sim, os problemas aparecerão. As pessoas interessantes aparecerão. A tampa da privada estará levantada. Os sapatos estarão no meio do caminho. A moça do trabalho estará mais arrumada do que a sua mulher na hora que acordou. Mas você não viu a moça do trabalho acordando. E o cara do trabalho não estará de moletom cinza e meia velha no sofá. Porque ele não faz isso no trabalho, só na casa dele. Sabe? É muito fácil- e muito juvenil- cair nessas ciladas.

Uma coisa é constatar, depois de muitas tentativas, depois de diálogo e de uma busca, sedenta e sofrida, por soluções, que o casal não quer mais seguir o mesmo rumo. Que os planos já não harmonizam. Que a música que está tocando já não é a mesma para os dois. É triste, mas pode acontecer e temos a sorte do século XXI nos dar todo aparato para não sermos escravos de relacionamentos mortos.

Mas acho mesmo que tem muito relacionamento indo para a forca quando poderia ter passado pela enfermaria, pelo pronto socorro, pela internação, pela UTI. Acho mesmo que tem muita gente que acorda esquisito um belo dia e resolve jogar tudo pro alto- seus sonhos e os sonhos do outro.

Acho mesmo que tem muita gente sendo egoísta, se comportando como crianças mimadas que se cansaram de um brinquedo mais antigo porque ele já tem alguma sujeirinha, perdeu alguma peça e porque tem um novinho lá na loja do shopping. Ou porque o brinquedo já precisa trocar a pilha, mas sabe como é, sair, comprar a pilha, abrir o pacote, substituir uma por uma… Dá trabalho demais. Esse brinquedo pode ficar no passado. O consumismo não ficou só nas prateleiras das lojas.

Não é por moralismo. Não é por respeito às instituições. É por respeito ao amor. É por respeito a quem dorme na nossa cama. É porque eu estou achando, cada vez mais, que somos uma porra de uma geração mimada, que aceita os desafios da carreira, dos estudos e do dinheiro, mas que não tem saco nem para o primeiro desafio da convivência e que não tem tempo nenhum para “perder” na construção diária do amor.

Ruth Manus