4 de setembro de 2015

Quando me Tornei Invisível...


É muito triste, eu sei. Fui às lágrimas, não pude conter. Cada vez aumenta mais o n° de pessoas e familiares que tornam-se invisíveis ainda estando vivos. Após suas mortes, honras e glórias, dores e saudades. Mas, e o que fazem em vida para celebrar e agradecer o presente de os terem consigo? Inevitavelmente, saudades da minha vózinha Madá, que Deus a tenha e que foi tão amada em vida e agraciada e amparada e sabia ser uma pessoa essencial na minha vida tanto quanto é agora, lá do céu. E ah quem me dera tê-la comigo para conhecer meu filho, ajudar a criá-lo e passar para ele todos os valores que me passou e tudo o que me ensinou. Agradeçam todos os dias quem tem seus avós por perto, junto de si. Pois muitos só se dão conta que eles se foram quando morrem e não percebem que os enterraram ainda vivos.




Quando me Tornei Invisível

"Já não sei em que datas estamos, nesta casa não há folhinhas, e na minha memória tudo está revolto. As coisas antigas foram desaparecendo.E eu também fui apagando sem que ninguém se desse conta. Quando a família cresceu, trocaram-me de quarto. Depois, passaram-me para outro menor ainda acompanhada das minhas netas, agora ocupo o anexo, no quintal de trás. Prometeram-me mudar o vidro partido da janela, mas esqueceram-se. E nas noites, que por ali sopra um ventinho gelado aumentam mais as minhas dores reumáticas.

Um dia à tarde dei conta que a minha voz desapareceu. Quando falo, os meus filhos e netos não me respondem. Conversam sem olhar para mim, como se eu não estivessem com eles. Ás vezes digo algo, acreditando que apreciarão os meus conselhos, mas não me olham, nem me respondem, então retiro-me para o meu canto, antes de terminar a caneca de café. Faço isso para que compreendam que estou triste e para que me venham procurar e me peçam perdão... Mas ninguém vem. No dia seguinte disse lhes: - Quando eu morrer, então sim vocês irão sentir a minha falta. E meu neto perguntou: - Estás viva avó? ( rindo)

Estive três dias a chorar no meu quarto, até que numa certa manhã, um dos netos entrou para guardar umas coisas velhas. Nem bom dia me deu , foi então que me convenci de que sou invisível.

Uma vez os netos vieram dizer-me que iríamos passear ao campo. Fiquei muito feliz, fazia tanto tempo que não saía! Fui a primeira a levantar, quis arrumar as coisas com calma, afinal nós velhos somos mais lentos, assim arranjei-me a tempo de não atrasá-los. Em pouco tempo, todos entravam e saíam correndo da casa, atirando bolas e brinquedos para o carro. Eu já estava pronta e muito alegre, parei na porta e fiquei à espera. Quando se foram embora, compreendi que eu não estava convidada, talvez porque não cabia no carro. 

Senti que o coração encolhia e o queixo tremia, como alguém que tinha vontade de chorar. Eu os entendo, são jovens, riem, sonham, se abraçam, se beijam e eu e eu.... Antes beijava os meus netos, adorava tê-los nos braços, como se fossem meus. E até cantava canções de embalar que tinha esquecido. Mas um dia... Um dia a minha neta que acabava de ter um bebê me disse que não era bom que os velhos beijassem os bebês por questões de saúde. Desde então, não me aproximo mais deles, tenho tanto medo de contagia-los! Eu não tenho magoa deles , eu perdoo a todos , porque que culpa têm eles, de que eu tenha me tornado invisível?"

Texto original - "El dia que me volvi invisible"
Autora - Silvia Castillejon Peral
Cidade do México - 2002

3 de setembro de 2015

Ele(a) não está tão a fim de você.


 
 
Ele te machuca, diz que não teve a intenção de te machucar, te pede desculpas e você perdoa. Ele promete que vai mudar, ele tenta mudar, diz que anda se esforçando pra isso. Mas se ele precisa mudar pra te fazer bem ou se esforçar pra que você fique bem ao lado dele, você  não precisa dele. Na primeira oportunidade, ele volta a te machucar, diz que foi por impulso, que não estava sóbrio, coloca toda culpa da bebida, na música alta, e em você. Ele chora até te convencer de que você tem culpa nisso tudo. Você acaba se convencendo de que existe alguma coisa de errado com você, porque ele te trata como tanta importância que você não consegue encontrar uma razão pra explicar o que ele fez e só se culpa.
 
Ele nunca procura novos lugares pra vocês, sempre espera que você o convide pra algum lugar e se você não convidar, ele sempre tem outros lugares pra ir sem você. Ele diz que tá com saudade, mas não aparece. Está sempre ocupado pra você, e se você puxa um assunto, ele muda de assunto, diz que teve um dia cansativo e que precisa dormir. Ele nunca está disponível pra falar sobre vocês. O dia dele sempre é bem corrido, ele te pede desculpas por não ter tempo pra você, mas o tempo que tem, prefere falar sobre ele com aquele papo egocêntrico de que não tem o mínimo interesse na sua vida, aquela conversa que te faz achar que ele é o único cara do mundo capaz de aceitar o teu temperamento. 

Ele grita com você, te chama de idiota, diz que você é louca, ciumenta e paranoica quando você tenta questioná-lo sobre essa falta de presença que ele chama de falta de tempo.  Ele diz que você é inútil, e repete tantas vezes que, com o tempo, você acaba acreditando. Você passa mesmo a acreditar que você merece as bobagens que ele diz e faz com você.

Quando ele se sente vulnerável e percebe que você está prestes a se decidir, ele começa com aquele jogo de sentimentalismo barato só pra te confundir, diz que te ama e que não pode viver sem você, porque você é tudo de melhor que aconteceu na vida dele, mas enquanto está com você, nada muda. A verdade é que ele não consegue suportar a ideia de te ver livre, feliz e com outra pessoa, porque ele é tão inseguro que não sabe se consegue se dar bem sem você. Quando ele percebe que você se rendeu, logo te escanteia e te deixa pro segundo plano.  Ele exige sua companhia só quando bem entende. Quando vocês saem juntos, ele não se aproxima muito e qualquer pessoa que olha pra vocês, imagina que são só amigos tomando uma cerveja no final da tarde.

Ele só te culpa, te cobra tanta coisa que ele mesmo não consegue te dar. Só te arruma defeitos, te trata como um erro. Ele sugere que vocês fiquem apenas de vez em quando, te quer no tempo dele, te aceita no momento que ele quer. Ele some, aparece dizendo que pegou no sono, entra no Whatssap mas não te responde, até visualiza mas é mais fácil te dizer que estava ocupado, colocando o cachorro pra passear. Você percebe que ele está online a horas, mas quando você questiona, ele te diz que você está vendo coisas demais.  Nunca tem tempo pra conversar, sempre tá cansado, coitado! Ele não procura manter contato com você, só liga quando quer. Ele te coloca pra baixo, diz que os erros dele são efeitos dos seus, que as atitudes idiotas que ele tem foram consequência das suas. Ele tenta te culpar por ele ser babaca e te faz acreditar que realmente a culpa é toda sua. Depois, ele te pede desculpas, até chora, jura de pés juntos que não mentiu, não fingiu, você aceita as desculpas, dá mais uma chance, e ele aparece fazendo desse amor um jogo barato e sem destino. Ele não gosta das suas conquistas, acha os teus sonhos um saco, não comemora a tua felicidade. Tenho uma coisa pra te dizer, ele não está tão a fim de você.
 
 
 Iandê Albuquerque
 

2 de setembro de 2015

Quem quer, arruma um jeito. Quem não quer, arruma uma desculpa.




Quem quer não adia, aparece. Quem quer te ver agora, não vai deixar pra amanhã, mesmo que a distância seja incalculável ou já seja tarde pra isso. Quem quer, não deixa pra depois o que pode ser feito agora. Quem quer ficar, fica sem que a gente precise implorar. Quem quer cuidar, simplesmente cuida. Quem quer, provavelmente não vai suportar a saudade, não vai poupar sentimento e entrega pra te ter.  

Quem quer, arruma um jeito. Quem sente vontade, faz saudade virar encontro, faz cinema virar motel, faz o cansaço virar amasso, faz dias frios mais quentes. Quem quer, é capaz de viajar 100 quilômetros só pra te ver, e não interessa se o tempo fechou tão rápido, quem quer não vai pensar duas vezes em te ver hoje ou deixar pra próxima semana. Quem quer, não vive de conversas, não perde tempo, não arruma mil e uma desculpas pra justificar que não vai dar pra te ver hoje porque o dia foi cansativo demais. 

Quem tem saudade do teu sorriso não se contenta só em ouvir a tua voz pelo celular, quem quer estar com você sentirá necessidade de te ver pra conversar sobre como foi o seu dia, sobre todas as coisas que te fez perder a cabeça e vai entender que é melhor te abraçar nos momentos mais difíceis do que te mandar um ''fica bem'' por mensagem. Quem quer te fazer bem, vai bater na tua porta com chocolates que comprou no meio do caminho pra tua casa e cervejas - é que o dinheiro era pouco e o vinho era caro. Quem quer realmente te ver, não esperará por um feriado ou por dias melhores que não tenham provas, nem muito trabalho pra fazer. 

Quem quer te ver, não vai se lamentar, vai vestir a roupa mais próxima e sair com sorriso mais sincero ao teu encontro. Quem quer, não vai reservar um tempinho pra você ou um horário fixo pra te ver, vai te reservar a vida e vai te ensinar que quando a gente ama, a gente não mede esforços, a gente não quer o outro pra preencher aquele espaço que sobra na cama ou aquele tempo vago nos finais de semana. Quando a gente quer,  a gente aceita o outro pra somar na vida, pra abrigar e torna-se abrigo, pra unir dois mundos. 

Quem quer ficar, vai fechar os olhos em teu peito e permitir, sem medo, acordar só noutro dia. Quem quer, vai fazer corpo mole pra não levantar da cama e não sair da tua vida, vai roubar tuas manhãs, vai jogar os braços por cima de você e quando você perguntar se a posição da tua cabeça tá doendo nele, ele vai te responder que não. Quem quer ficar na tua vida, não pensará duas vezes antes de entrar. Ficará pro café da manhã e se possível pro jantar, é que o gosto do teu beijo vicia e ele seria burro em não prová-los ao máximo.

Quem quer ficar, vai encostar a cabeça em teu ombro e vai te deixar descobrir todos os medos e segredos, erros e defeitos, vai apertar a tua mão pra tentar te dizer algo em silêncio, e vai se despedir de você sem te tirar nada, te permitindo a liberdade e te deixando com aquela sensação de querer viver tudo e mais um pouco ao lado dela. Quem quer você, tem vontade de te repetir, de tomar todos os gostos com teu sabor, de provar todas as aventuras com você sem te dizer que precisa pensar, sem te dizer: ''hoje não dá'', ''deixa pra amanhã'', ''não tô a fim''.  Porque quem quer, arruma um jeito. Quem não quer, arruma uma desculpa. 


Iandê Albuquerque

Amar é aceitar o outro exatamente como ele é.



O amor é simples, leve, libertador. O amor é companheirismo, presença, parceria. É reciproco, intenso e envolvente, onde só se ganha e nada se perde. Amar é doar-se por completo pra alguém sem medo do que esse alguém possa fazer com você. Amar é aceitar o outro por completo sem tirar nem alterar nada. Amor é aquele tempo que a gente nem tem e mesmo assim doa. Amor é chegar em casa, depois de um dia daqueles, e mesmo assim ter motivos pra sorrir porque o outro te olha como se não tivesse te visto há anos. Amor é segurar firme a mão do outro e sentir segurança suficiente pra entender que você estará presente não só enquanto tua mão envolver a dele, mas principalmente quando vocês estiverem distantes. Amor é mergulhar em um olhar que não te afoga, é transformar um abraço em um abrigo, é morar em alguém que mesmo com tantos defeitos e diferença, não te assusta

Amar é dormir ao lado de alguém que te cura de qualquer preocupação, é acordar com alguém que te leva pra um lugar que cê não tem ideia, mas mesmo assim aceita o desafio, porque o amor é capaz de enfrentar e superar qualquer obstáculo na vida. Amar é saber que ninguém é dono de ninguém. É ficar mesmo quando a pipoca queimar, o refrigerante perder o gás ou quando o filme for repetitivo, porque o que realmente importa pro amor é selar o encontro, é eternizar o momento e fazer de um sentimento uma memória. Amar é aceitar que o outro é livre e que se pode partir a qualquer momento. É aceitar que se doer, melhor deixar ir. Se ficar confuso, melhor partir. Amor é poder ser quem você é, não precisar fingir e permitir que o outro seja quem ele é, sem aparências, sem disfarces.

Amar é querer o bem do outro sempre, é torcer pelos sonhos e vibrar quando alcançá-los. Amar é sentir a alma do outro, e por isso, não fazer mal. Amar é não machucar porque, de alguma forma que a ciência não consegue explicar, isso vai te ferir também. Amar é sentir que às vezes será melhor ficar em silêncio e compreender com um só olhar o que a alma do outro quer dizer. Amar é não ter orgulho, se desfazer de todos esses joguinhos que usamos pra não ficar por baixo e não aparentar vulnerável demais. Mas amar é ser vulnerável, é se desfazer de todas as armaduras e se envolver de peito aberto. Amar não é se poupar, é doar-se por inteiro. É aceitar que nem sempre você estará certo, e se estiver, amar é reivindicar, relevar e perdoar também. O amor não tem a ver com alianças, expectativas, promessas ou contratos. Na verdade, se tem uma coisa pra te dizer é que não espere que alguém seja o seu modelo ideal. O ame enquanto for reciproco, e se for amor, será liberto, e se for liberto, você não vai querer moldá-lo ou transformá-lo em alguma coisa só pra te fazer bem. Se for amor, te fará bem exatamente do jeito que é. Sem egoísmo, por favor! 

O amor é compreensão. É acordar cedo só pra levar café na cama. É pôr uma música baixinha pra não interromper o sono. Amar é estar a vontade, ficar porque te fazem bem e fazer bem porque isso é  o mínimo que você deseja. Amar é ter uma cama enorme e acordar espremido no sofá. É fazer fazer brigadeiro e lembrar de guardar a panela porque o outro ama raspar o restinho de chocolate. Amar é apresentar novas coisas, lugares e novas pessoas. Amar é muito mais ''tô indo agora'' que ''não posso ir''. 

Se você diz que só consegue amar uma pessoa porque ela é daquele jeito e não consegue vê-la de um outro, você provavelmente não a ama. Você quer ficar com ela e ponto. Existe uma diferença muito grande entre amar e só ficar porque você se sente bem. Amar vai muito mais além do que achar o cabelo dela lindo ou os olhos castanhos dele tentador. Amar vai muito mais além do que aquela tatuagem de âncora no braço dele e a de cereja no ombro dela que você acha um charme. Amar é aceitar o outro hoje e entender que as pessoas tem todo direito de mudar, deixar a barba crescer, pintar o cabelo de rosa, cortar o cabelo bem curto, trocar o Rock pelo Samba. E você não deixará de amar alguém porque ele resolveu trocar Nirvana por Zeca Pagodinho, porque ele prometeu que não faria uma tatuagem e hoje quer preencher todo o braço esquerdo. Você não deixará de amar alguém só porque ganhou uns quilos a mais desde o verão passado. São outros motivos que vão te desprender de alguém.

Quero dizer que, quem ama vai entender que o outro pode mudar quando bem quiser, vai aceitar a naturalidade das coisas, vai aceitar as mudanças físicas, engordar, emagrecer demais, adoecer, não mais andar. Amar é aceitar que as pessoas mudam, que são vulneráveis aos acasos da vida, e que apesar de tudo isso, o sentimento não muda, porque o amor, cê sabe, é imutável.

21 de agosto de 2015

A verdade por trás dos casais felizes


Destino. Talvez seja essa a primeira palavra que vem à mente daqueles que nos olham andando de mãos dadas por essa cidade, risada estampada no rosto, o amor em neon "vermelho-loucura" piscando para quem quiser ver.

Eles não sabem que diariamente nos comprometemos a cuidar do que temos, a facilitar a vida um do outro, a vigiar a impaciência nas horas difíceis, a não jogar a toalha quando falamos idiomas diferentes porém na mesma língua. Eles não têm ideia dos centímetros que cedemos para que o afeto ganhe espaço e que se sinta em casa. Fechamos as trincheiras para que a paz vença as batalhas diárias do ego e do cansaço. E declaramos ser responsáveis pelo maior sentimento do mundo que, num encontro sem querer, fez de duas paralelas linhas entrelaçadas.

Eles não sabem que, ao lado da lista de supermercado, colocamos a lista do que não pode faltar em nossas vidas em comum: beijos demorados nas chegadas e nas saídas, carinhos em doses constantes e respeito por escolhas e humores.

Eles não sabem o quanto nós caminhamos separados para poder, enfim, estarmos juntos. Não sabem que nossas vidas já foram paralelas e condenadas a não se tocarem nunca, caso a vida obedecesse cegamente as regras da matemática. Amamos a outras pessoas, juramos que seria para sempre com elas, e que não amaríamos a mais ninguém. Sofremos. Choramos. Renascemos.

Destino? Não sei... prefiro acreditar que foram os erros e acertos que nos juntaram.



Casal Sem Vergonha

20 de agosto de 2015

Pilares básicos que são mais importantes que o amor numa relação...



Sempre achei no mínimo estranho ter que assinar um contrato em que você declara amor à alguém. E usar um anel que torne esse amor visível e referendado aos olhos dos outros.. Usar uma roupa específica, com uma cor pré-concebida e que representa uma pureza hipócrita, para que o mundo saiba que você resolveu juntar as escovas de dentes. Se é um sonho ou uma realização pessoal, ótimo. Como no meu caso onde sempre foi o sonho do meu marido casar "dentro dos conformes com tudo o que tem direito". Comprei prontamente a ideia dele, mas ela nunca me foi necessária. Curti o momento, as fases até chegar o grande dia, mas acho que uma relação, a durabilidade dela e a qualidade de uma vida à dois vai muito além de um casamento formal ou se juntar. Cada um decide como celebrar o amor, mas há muito mais coisas mais importantes que alianças.


1. Respeito Mútuo:

Há muitas coisas sem as quais um relacionamento não sobrevive por muito tempo. Curiosamente, acho que o amor está longe de ser a principal delas. Não deixar que a intimidade extrapole o limite do respeito é um dos maiores desafios de uma relação a dois.  Respeitar o outro enquanto ser humano é, sem dúvidas, um grande primeiro passo para construir uma vida ao seu lado. 


2. Simplicidade:

Muitos não acreditam, mas o amor não é nada pomposo. Enquanto nos ocupamos em preparar festas, alianças, vestidos brancos, presentes caros e jantares sofisticados à luz de velas há uma vida belíssima dos esperando lá fora. Relacionamentos saudáveis têm nos momentos mais simples os mais inesquecíveis. Casais bem resolvidos não precisam de cruzeiros, reservas em restaurantes e grandes comemorações. Embora isso tudo seja bom, não pode ser imprescindível! Consegue-se celebrar o amor nos mares do Caribe ou no bar da esquina. São felizes em Paris ou na cama assistindo a Netflix. O amor é simples como a vida.


3. Companheirismo: 

Conheço muitos casais que usam alianças imensas, colocam foto um do outro na capa do facebook e não se cuidam reciprocamente. O companheirismo não precisa de demonstrações ou atestados.  O cuidado mútuo está presente nas pequenas coisas como em verificar se ele precisa de alguma ajuda com as tarefas domésticas ou oferecer ajuda se ela fica sem grana no final do mês.


4. Bom-humor:

Acredito piamente que uma pitada de bom-humor é capaz de salvar vidas. Dê um bom dia bem humorado ao motorista e ele lhe será solícito. Seja cordial com uma atendente e ela lhe ajudará sem nenhum interesse - pura e simplesmente porque o bom humor é um facilitador. Nas relações a dois ele é igualmente indispensável. Por mais que um tenha mau-humor matinal ou por ter ficado horas no trânsito ou seu time de futebol tenha perdido, é preciso encarar os estresses da vida conjugal com leveza. Um sorriso não custa nada e pode mudar o dia de quem você amam.


5. Sinceridade:

Pequenas mentiras são capazes de ceifar até mesmo os grandes amores. Principalmente porque na primeira briga, todas elas vêm à tona juntas. Em relações de longa data são facilmente decifráveis porque não dá para mentir para quem te conhece bem. A hipocrisia é o câncer das relações modernas. É preciso dizer que ele sente desejo por outras mulheres e que talvez ela precise de um regime. A sinceridade nas coisas simples gera uma confiança tão incondicional que nos faz capazes de acreditar até nas verdade menos críveis.


6. Jogo de Cintura:

Quem te disse que a vida a dois é fácil te contou uma mentira deslavada. Não é. É preciso aceitar diferenças, burlar as prendas do tal destino, desviar-se das tentações e, de quebra, cuidar de cada detalhe da relação. Não dá pra levar tudo à ferro e fogo. Relacionar-se a dois, aliás, relacionar-se com quem for, é, basicamente, não deixar a peteca cair.


7. Liberdade:

Foi-se o tempo em que relações amorosas eram prisões sem grade. A confiança é um pré-requisito para que se tenha um amor tranquilo com gosto de fruta madura. E isso incluir deixar ele sair para beber com os amigos ou deixá-la cuidar da própria vida como bem entender, mesmo que isso signifique gastar todo o dinheiro "extra" em bolsas. Liberdade transcende em deixar o outro sair sozinho e se sentir com autoridade para tomar decisões. Significa também que nada te dará o direito de influenciar nas decisões pessoais do seu parceiros, sejam elas quais forem.


8. Compreensão:

Pequenas irritações cotidianas deve ser as maiores causadoras de divórcios ao redor do mundo (por mais que muita gente diga que foi por causa de ciúmes, incompatibilidade de gênios ou de objetivos de vida). Nunca subestime o poder de uma toalha molhada em cima da cama, da tampa do vaso levantada, de louça na pia ou de roupas sujas fora do cesto. Isso irrita, cansa e desgasta a relação. No entanto, ninguém está a salvo de pequenos defeitos, e só a boa e velha compreensão é um bom antídoto para isso. Compreenda as meias dele jogadas pelo chão do quarto e ele compreenderá seus cabelos no ralo do banheiro. É assim, e só assim, que a vida a dois segue. 


9. Sonhos em Comum:

Não dá pra caminhar de mãos dadas em estradas opostas. É preciso ser franco, e, de preferência, a tempo sobre os planos de cada um. Você quer ter filhos e ele não. Ele quer ter um animalzinho e ela não. E assim sobre se casam, viajam, compram um carro, onde vão morar e por aí vai. Se você deseja vender artesanato na praia, provavelmente não conseguirá dividir uma vida com quem deseja administrar uma grande empresa. O amor tem questões práticas e nada românticas como os objetivos de vida incomuns, as finanças que não equivalem, e que eventualmente precisam ser consideradas.


10. Independência:

Por fim e não menos importante, não mesmo!, a independência é mais imprescindível numa relação do que qualquer contrato assinado. Ter seus próprios amigos, seus próprios projetos, seu próprio tempo só pra você. Eventualmente planos diferentes no final de semana ou atividades que não façam juntos além de ajudar a dar saudade do companheiro(a), mesmo que ele(a) durma com você há anos, ainda faz com que você não esqueça de que antes de compor uma relação você é um ser humano ímpar. 




"Parece que as pessoas desistem fácil demais, 
querem relacionamentos perfeitos, 
mas se esquecem de construí-los e mantê-los dia após dia!"





Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?





Apenas refletindo...
Às vezes a gente quer pôr a culpa em Deus e no mundo pelo que nos acontece, mas nos esquecemos de olhar pra dentro e ver que o que fazemos ou deixamos de fazer, mais dia menos dia, nos coloca na posição em que nos encontramos em alguns momentos na vida.
Ás vezes, as consequências que se sofre podem ser fruto das escolhas feitas, das atitudes tomadas, reflexo do que plantamos e de quem somos. Não dá pra botar toda a culpa pelo errado conosco em terceiros, no acaso, no destino, no dia que amanheceu chovendo e por aí vai. Temos que nos responsabilizar pela nossa parcela de culpa. Do que fazemos e do que não fazemos. De quem somos e de quem deixamos de ser. O nosso destino pode ter sido traçado na maternidade, como já dizia Cazuza. Mas a gente sempre pode mudar a direção.

19 de agosto de 2015

Sobre a beleza de ser imperfeita...


Esse texto não foi escrito por mim, mas foi feito pra mim!




A moça do salão me olha com olhar de pena. "Você tem uma falha na sobrancelha", ela diz. Eu concordo, tenho mesmo! Falha de nascença ou cicatriz. Nem sei o que é, nem de onde veio. Desde que me lembro sempre tive. Ela diz para eu não me preocupar. Ela vai dar um jeito nisso. Com algumas pinceladas de um lápis de olho, a falha/cicatriz some. "Agora está perfeito", ela fala, orgulhosa do seu trabalho. Sei que ela só estava tentando ser gentil, ma eu preferia que ela não tivesse feito aquilo. Eu não quero e nem posso ser perfeita.

Quando eu tinha uns dezessete anos fiz uma cirurgia que me deixou com uma cicatriz para o resto da vida. Verdade seja dita ela só é visível quando estou usando biquíni, mas mesmo assim eu morria de vergonha da cicatriz. Ficava procurando os modelos de biquínis que disfarçassem melhor e o grande pavor da minha vira era pensar o que um menino iria dizer quando ele finalmente visse a cicatriz. Com o tempo eu entendi que pior do que ter essa marca seria nunca ter feito a cirurgia. Hoje, eu e a cicatriz já convivemos bem. São quase dez anos juntas. Muito mais do que qualquer relacionamento que eu já tive. Mas mesmo assim, não é um processo simples olhar no espelho e aceitar todas as imperfeições que nós temos.

Tento gostar de todas as coisas que as revistas de beleza e o mundo da moda tentam me convencer que existe de errado em mim. Gosto bastante dos meus dentes separados que uma médica queria cobrar 700 reais para deixá-los iguais aos de todo mundo.

Mas não é fácil abraçar e amar tudo o que temos de diferente quando tanta gente diz que estaríamos melhor sem isso. Ainda sofro um pouco para aceitar meu sorriso largo demais que deixava a gengiva a mostra. Desde que um amigo me batizou de "sorriso perpétuo"tenho gostado menos do meu sorriso "gengivudo". Tento pensar que é um símbolo de alegria e felicidade plena. Quando vejo em uma foto aquela gengiva bem a mostra, fico presa em um misto de vergonha e orgulho, porque sei que naquele momento eu estava, simplesmente, feliz demais para me importar com as regras do sorriso perfeito.

Tenho uma pequena lista de imperfeições espalhadas pelo meu corpo. Meu cabelo é um capítulo a parte. Quando eu era adolescente, deixei me convencerem de que o meu cabelo ia ser uma entrave à minha felicidade. Eu não ia sair bem nas fotos, nem arrumar um namorado e nem ficar mais parecida com as atrizes que eu via na televisão. Afoguei aqueles próprios cachos em tanta química, que hoje eles simplesmente não voltam mais. A química estragou tanto os meus cabelos que hoje eu sou escrava dela.

Minha mãe já tinha me alertado para um fenômeno que ela chamou de "meninas feitas em série". São aquelas meninas todas iguais, com o mesmo cabelo, o mesmo rosto, as mesmas roupas e que frequentam os mesmos lugares e falam das mesmas coisas. Mas quando eu era adolescente tudo o que eu mais queria era ser uma menina feita em série. Não consegui. E o que antes era uma frustração, hoje é um alívio. Gosto de olhar uma foto cheia de gente e logo de cara me encontrar na foto, sem ficar meio perdida se eu sou a menina da direita ou da esquerda. Parei de buscar a perfeição, pois já aprendi que isso não é possível. Não tem como ser maravilhosa às sete horas da manhã, logo depois de acordar e nem às seis da tarde no fim do expediente puxado. Sei que os padrões de beleza não gostam do meu nariz, nem com o meu quadril e ficam horrorizados com a minha pele "molinha" de quem claramente nunca frequentou uma academia. Mas eu também fico chocada com o tipo de corpo, de rosto e de cabelo que o mundo implacável da beleza queria que eu tivesse.

Outro dia desses tirei uma foto linda. Tenho certeza que desse momento até o resto da minha vida, essa é a foto mais linda que eu vou ter de mim mesma. Só tem um problema. Aquela moça da foto não sou eu. Ela se parece comigo, existem grandes semelhanças, como uma prima mais bem cuidada. Mas ela é uma versão minha depois de horas no salão, com toneladas de maquiagem, escova, babyliss e grampos meticulosamente bem posicionados. Gosto de olhar essa foto de vez em quando e ver como eu poderia ser se cinco horas no salão fossem uma rotina na minha vida. Felizmente não é o caso. À medida que vou ficando mais velha tem sido cada vez mais fácil aceitar os meus defeitos. E, coincidência ou não, tenho sido cada vez mais feliz.

Casal Sem Vergonha

 

18 de agosto de 2015

Viver também é uma lição que se aprende na escola!


Mais um caso na mídia de alunos e familiares que agridem professores. Os motivos são os mesmos: não pode chamar atenção, dar nota baixa ou reprovar. E depois, indignados, esses mesmos pais reclamavam quando a aprovação era automática no sistema de ensino público! É quase a mesma coisa coagir um professor a passar a mão na cabeça do aluno ou fechar os olhos para tudo de errado que ele venha a fazer. Mais uma vez comprovo, não só educação escolar falta neste país. Falta pai e mãe que sejam pais e mães com valores éticos e morais a passarem aos seus filhos. Sou do tempo que professor era autoridade máxima dentro da sala de aula, dentro da escola, dentro de uma comunidade ou bairro, da sociedade. 

Sou do tempo em que se tinha um respeito ímpar não só pela figura como pelo importante papel que estes representavam. Sou do tempo em que, se chamados na escola por reclamação de comportamento ou de notas, os pais não só apoiavam o professor como "passavam o sabão" novamente em casa nos filhos. Sou do tempo que no final do ano, independente de aprovação, os pais iam cumprimentar os professores pelo excelente trabalho exercido. Sou de um tempo que os alunos não levantavam nem a voz, nem os olhos que dirá uma mão para um professor! Enfim, constato que sou de um tempo não muito longe, que não existe e nem vai voltar mais. Hoje em dia além da falta de valorização financeira e social, cada vez mais professores se tornam educadores, pelo simples fato de que além de ensinar matemática, português, história, ciências e geografia, eles têm que ensinar os alunos os princípios básicos de educação que deveriam vir de casa. Literalmente a maioria prepara os alunos para a vida dentro e fora da escola. À contragosto, mas fazer o que?! Sobra pra eles a árdua tarefa de educar, ensinar, criar. 

Mas ao mesmo tempo, a eles é negado qualquer tipo de autoridade e repreensão, principalmente de caráter e conduta. Aí, os pais que foram obrigados a ser pais (não vou entrar no mérito que na hora de fazer sexo ninguém pensou na responsabilidade de criar um filho) e que jogaram no mundo uma criança para ficar a ermo, com família, atenção, amor e cuidados fake, se sentem no direito de nesta hora partirem até para a agressão física porque não admitem que os professores "consertem" seus filhos negligenciados. Francamente! Sou professora formada mas nunca exerci a profissão. E a cada dia que passa percebo que tomei a decisão certa. Jamais saberia lidar com essa nova geração do se achar maioral, acima do bem e do mal, com crianças cada vez mais carentes vindas de um núcleo familiar defasado sendo jogadas na escola para lá, ser feito o milagre de serem alguém, como se os pais, a família, a criação, o meio em que vivem, a realidade que convivem e todo o qualquer tipo de influência externa pudesse ser bloqueada e banida. E com isso, eximem-se da culpa e passa a depositá-la justamente em quem mais faz para poder ajudar um ser a ser alguém, o professor. 

Me indigno por minha mãe é professora e a vida inteira vi como ela sempre lutou por cada aluno, pelo direito de um por um de ter sempre o melhor, independente de qualquer coisa. Muitas vezes deixando até ela mesma de lado. Apesar de realizada na profissão por exercer com amor aquilo que sempre quis, foi uma tarefa nada fácil durante anos. E nem sempre foi valorizada por isso. Me indigno porque devo muito aos meus professores por estar onde estou, não só pela parte educacional, mas pela parte emocional e intelectual que sempre fizeram questão de trabalhar em mim e em meus colegas, enfatizando para acreditarmos em nós, darmos o nosso melhor, a sermos cidadãos ativos e não passivos para absorver informação, responsáveis por nossos atos, não eximindo-nos de nossas obrigações como indivíduos dentro de uma sociedade. Devo a escola por ter sido durante muitos anos mais que um lugar de conhecimento escolar e sim uma segunda casa, onde além de fazer amizade exercitei meu senso de civilidade. Onde as famílias eram participativas das atividades e interagíamos todos para um bem maior. E hoje, inegavelmente trago excelentes memórias. 

E sinto um pesar, por esses jovens de hoje carentes ou não socialmente, mas de certa forma todos igualados num grau de alienação de responsabilidade e comprometimento, por possuírem menos do mínimo necessário de discernimento de certo e errado, e quando o tem é sempre o que convém à eles. Lamento principalmente por eles que vão entrar na escola sem saber nada e sair mais "analfaburros" do que nunca. Porque ninguém pode fazer por eles para aprender, evoluir, crescer e ganhar o mundo, se tornarem pessoas honradas, dignas e de bem, darem valor a dádiva que é ter conhecimento e passarem adiante a importância e essência do professor e da escola na vida de um indivíduo que sabe aproveitar o que tem. E que se a escola é um passatempo, então por favor deem lugar para aqueles que de fato querem estar ali e não tem oportunidades. Há de ter quem saiba valorizar e respeitar aqueles que dão seu sangue por amor à profissão, mas não vivem só de amor, se viram nos 30 para dar aula, atenção, incentivo, sem ganhar pra isso, sem material e ambiente escolar adequados e o mínimo que pedem em troca senão gratidão, consideração, senão nem um e nem outro então não faça nada por aqueles que de repente, foram os únicos a acreditarem no potencial de seus alunos. Apenas, sejam pessoas de bem!

Melhor do que amar é se sentir amada...





Tão bom se sentir amada. É a melhor sensação do mundo. Seja pela família, pelo companheiro(a), amigos, colegas de trabalho... Tão bom se sentir querida, se sentir cuidada. É um sentimento que vai além de gratidão.. É algo sagrado, e que vem lá de dentro. É se sentir essencial para o outro, para o mundo e para você. É ter certeza de que você é parte da felicidade de alguém. É conseguir enxergar no olhar que esse alguém até vive sem você, mas não quer. É se sentir responsável por um sorriso. É receber sem saber, de fato, o que foi que fez para merecer tanto. É um amor sem tamanho.

O mais engraçado disso tudo é que a pessoa não precisa dizer que te ama. Você simplesmente sabe. Ela consegue expressar na forma como sorri, como te olha, na forma como te agradece, quando te pede algo, na forma como te coloca na vida dela e até nas vezes nas quais te esquece. Você sabe que ela se importa, que ela te quer bem. É a forma com ela se interessa em saber da sua vida e em compartilhar a dela com você, nos mínimos detalhes, muitas vezes sem você se quer perguntar. Ela te lota de informação boa, ruim, e mesmo que você só ouça com atenção porque sabe que de alguma forma sua opinião é importante. É transformar tristeza e alegria num piscar de olhos, pensando e algo pra te animar ou dando aquele "sacode" pra você acordar na vida. É mudar o rumo da prosa para uma ainda mais gostosa. É demonstrar doçura, carinho e ternura, na fala, no abraço e no beijo, seja na boca, na testa ou na bochecha.

É sentir um conforto no coração. Não se sentir sozinha nunca. É saber que com aquele ombro você pode contar, que não importa a hora você sempre vai poder ligar. É duvidar da sua capacidade e ter aquela pessoa para sempre te fazer lembrar quem você realmente é. Porque, para ela, você é incrível, e com você a vida faz ainda mais sentido. É sentir o coração bater mais forte. É poder desprezar a tristeza e a desgraça, porque sofrer com tanto amor assim, não é preciso. E, mais do que tudo isso, é sentir-se em paz não só com você mas por tudo e todos que você tem na vida. E se sentir segura, se sentir livre, se sentir viva. Porque nada no mundo faz mais sentido e "a melhor coisa da vida amar e em troca amado ser".