14 de outubro de 2011

"... em busca do meu lugar"

Nesse feriado, resolvi dar uma arrumada nos meus guardados. Nossa, vi quanta coisa eu tenho. São pequenas mini lembranças, sem nenhum valor financeiro a não ser sentimental. São lembranças de momentos, de pessoas, até alguns presentes como cartas, cartões, fotos. Como num vendaval, muitas histórias e recordações invadiram minha mente, passando como num filme lento, me deixando emocionada e feliz. Em meio a tudo isso, achei guardados alguns textos meus. Não me lembro bem porque os guardei, mas o fato é que lá estavam eles. E, relendo, meu coração bateu mais forte por um que foi escrito no dia 06/11/2006. Ele não tem título, não consegui achar um que se adequasse ao texto. Lembro de tê-lo escrito de madrugada, acordei com ele na cabeça e nem quis saber da hora. pulei da cama com papel e caneta na mão e comecei a escrever. Só no dia seguinte fui ler e fiquei, eu mesma, impressionada com o conteúdo. Seria eu sensitiva? Teria eu tido alguma espécie de premonição? ou, tudo não passou da minha imaginação? Quem sabe, um sonho? Não sei... Só sei que até hoje me arrepio ao ler esse texto. Abaixo, disponho ele à vocês:

"Entro em meu quarto, apago a luz, deito na cama e ligo o rádio. Fecho meus olhos, respiro mais fundo, emito um suspiro, tento espairecer. Ouço uma música relaxante, sinto o cheiro de um perfume que quase me desconcentra. escuto que a chuva continua a cair, e de repente, percebo que não estou mais sozinha aqui. Porém, não sei quem se faz comigo presente. Aquela música começa a tocar, o perfume novamente me invade. Mas, nesse momento, eu preciso ficar sozinha comigo mesma. Com os meus olhos fechados, tento pensar: num lugar, em que nele eu me encontre. Num meu desejo, viajo para um lugar lindo. Que exala liberdade. Onde não parece haver limites, e que o infinito é contínuo. Estou numa praia, andando descalça. A areia está morna, gostosa de sentir. o mar está calmo, tranquilo, sem ondas, parece dormir.
A água está fria, mas eu nem me importo. Sento na areia molhada e olho para o horizonte. A linha dele é quase imperceptível. O céu parece encontrar a terra, e o sol quase beijar o mar. A espuma do mar vem me molhar. Ela está fria e me desperta. Do meu súbito voo me traz de volta. Para as minhas perguntas, continuo sem respostas e para não me afligir, começo a correr. Corro do meu passado, da minha história, de você. Mas, como posso me livrar de ti se estás dentro de mim? Paro, impulsionada or uma visão sua, mas olho melhor e vejo que estou sozinha, nesse lugar isolado. Estou perdida no meio de um deserto. Escrevo seu nome na areia, me arrependo e apago com os pés. Com raiva, grito por você, mas ninguém responde. o vento sopra mais forte agora. Começa a esfriar, mas não me impede de continuar andando. de persistir e em algum lugar me encontrar. Horas já devem ter passado. A chuva já deve ter cessado. Mas, no meu pensamento, eu continua a querer me achar dentro do meu sentimento. Já estou ficando desesperada, Ando, ando, ando e não encontro nada nem ninguém. A solidão já me assusta, e eu não quero mais te arrancar de mim. Porque, ao menos aqui, você é minha única companhia. Continuo a sentir que há alguém. No meu quarto, deitada na cama, ao meu lado, sei que há alguém. Se não me engano me observa, me acalma, tenta me chamar de volta para o meu mundo, para a minha vida, para você. E eu até quero voltar, porque agora nesse lugar que eu estou, sinto medo. É frio, vazio. O silêncio reina, a saudade aumenta. Não, não quero mais isso! Mesmo sofrendo, eu quero sentir o calor num momento de raiva. Sentir o gosto do sal numa lágrima que cai dos meus olhos, escorre lentamente pela face e na minha boca morre. Mesmo na tua ausência, quero me satisfazer com a tua presença dentro de mim. Acho que a música já acabou... Eu não a escuto mais. Agora ouço que a chuva voltou a cair e mais forte do que antes. A certeza de alguém ao meu lado aumenta. Sinto paz nesse momento. Já estou deitada num campo gramado. Há muitas flores, suas cores me trazem alegria. Eu contemplo as estrelas. No brilho delas eu vejo seu olhar. Para você eu canto, mas será que pode me escutar? Desse lugar, sentada numa pedra do alto de uma montanha, eu consigo ver a praia. Agora deserta. Linda, porém vazia! Olho para a lua mais uma vez e me pergunto: por que eu pouco a vejo? Será que eu é que não a vejo direito? E na tentativa de achar a solução para os meus problemas eu acabo vendo outra coisa. na praia, na montanha é tudo perfeito, do jeito que eu queria, mas não é o meu lugar. Precisou eu me ausentar do meu lugar de sempre, que me cansa, me sufoca, me consome para descobrir que é ele o meu lugar. E que por mais longe que eu fosse, você também não iria embora. Porque você está dentro de mim. E eu estou conseguindo viver em harmonia com você. Não adianta fugir de mim para tentar te esquecer. E, entendendo isso, me encontrando enfim em mim mesma, retorno ao meu quarto, onde suas lembranças estão por toda parte. choro aliviada agarrada ao travesseiro, com as lágrimas deixo ir embora todo o peso, por um monte de momentos. E no meu choro, vários sentimentos se misturam.

É, realmente a música já acabou. O perfume não exala mais. Levanto em silêncio e vou até a janela. No escuro, no silêncio, cada vez mais eu me acho, e me perco novamente. Mas, isso nem me importa mais! Vale a pena arriscar a se conhecer ou se desconhecer um pouco. Continua a chover. A chuva não para! Por que será? reconheço tudo à minha volta. O alguém ainda continua aqui, mas já está indo embora. Sei que voltará quando eu precisar, toda vez que eu chamar, mesmo que em pensamento. Reflito por um minuto e percebo que a viagem foi ótima. Mas, o que eu aprendi lá se os lugares eram vazios, não só de você mas de mim? principalmente, de mim! Obrigada. A quem quer que tenha sido que me apoiou nessa jornada. Já são altas horas da madrugada. Nos meus olhos parece ter areia. A brisa parece me acariciar. E a música, aquela minha canção de ninar, toca na minha mente. Me deito para dormir e agora é de vez. Fecho os olhos. Sinto um calor me envolvendo. Sinto o meu leito aconchegante. Sobre as minhas costas sinto um peso suave. Abro os olhos, procuro na escuridão, acho-o em mim. 'ah, é você!' penso. E volto a dormir. 'obrigada, mais uma vez!' eu sussurro. 'boa noite!' ele me responde. 'durma bem e sonhe...'. 'Até amanhã', novamente ele fala. Logo em seguida, adormeço!



3 comentários:

Paulo Tamburro disse...

OLÁ FÊ , MINHA CONTERRÂNEA.

SOU SEU MAIS NOVO SEGUIDOR.

ACHEI EXCELENTE SUA POSTAGEM.

ALIÁS EU SEMPRE ACHEI QUE NINGUÉM FALA DAS COISAS DE AMOR COMO A MULHER, E UMA MULHER JORNALISTA ENTÃO É DOSE DUPLA.

SEU TEXTO TEM FRASES EXCEPCIONAIS E PARECE QUE VOCÊ CONSEGUIU MESMO, ARRUMAR SUAS COISAS (RS).

ESTOU LHE CONVIDANDO PARA CONHECER MEU BLOG:

"HUMOR EM TEXTO".

NESTA SEMANA TEMOS A HISTÓRIA DE THEÓFILO PRAXEDES, UMA FIGURAÇA!

E A CRONICA É:

“A MÃE DOS FILHOS DELE”

E SE QUISER MAIS HUMOR, TAMBÉM TERÁ ACESSO AO “FOTOFALADA” –UM BLOG LEVE E DIFERENTE – E O MEU OUTRO BLOG DE HUMOR:

” COMO ERA FÁCIL FAZER SEXO”.

ENFIM, O REGATE DAQUILO QUE O CARIOCA SEMPRE TEVE E AINDA, NINGUÉM CONSEGUIU DESTRUIR: MUITO BOM HUMOR!

CONFIRA.

UM ABRAÇÃO CARIOCA

Talita Barroco disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Talita Barroco disse...

Oi lindona.
Amiga, vc escrevia cada texto impressionante sobre sentimentos, angústias e até poemas. Eu amava seus poemas.
Pq parou? Volte a escrever...

Bjs